Crise aérea afeta time venezuelano de futebol

Caracas FC fará parte da viagem por via terrestre para conseguir chegar ao Peru a tempo de jogo pela Copa Sul-Americana, na quinta-feira

CARACAS, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2014 | 02h01

A crise enfrentada pelo setor aéreo da Venezuela - em que mais de 40% das companhias internacionais reduziram a oferta de lugares e outras suspenderam suas rotas de e para Caracas - fez uma nova vítima: o Caracas Futebol Clube.

O time da capital terá de viajar por terra até a cidade colombiana de Cúcuta, na fronteira dos dois países, para embarcar em voo para o Peru e jogar, na quinta-feira, contra o Inti Gas Deportes pela Copa Sul-Americana.

A equipe venezuelana, que disputará a partida válida pela primeira fase do torneio, não conseguirá fazer a rota de Caracas para Lima de avião em razão da drástica redução na oferta de assentos em voos internacionais, provocada pela dívida de quase US$ 4 bilhões do governo de Nicolás Maduro com a empresas aéreas internacionais, envolvendo liquidação de divisas.

A contração do mercado aéreo é tão grande que o clube venezuelano também não conseguiu contratar um voo charter. "Tentamos com pelo menos cinco ou seis empresas diferentes e nenhuma nos ofereceu a possibilidade de um voo direto de Caracas", informou um porta-voz do departamento de logística da equipe à agência AFP.

Por isso, os "vermelhos de Ávila", como é conhecida a equipe de Caracas, partirão amanhã para Santo Domingo del Táchira para depois cruzar a fronteira com a Colômbia de ônibus até Cúcuta, no Estado colombiano de Santander.

O restante da viagem até Ayacucho ainda não foi definido, mas poderá incluir pelo menos outros dois voos e um segundo trajeto, de cinco horas, de ônibus no território peruano, para a equipe chegar então a Ayacucho na tarde de quarta-feira. O jogo contra o Inti Gas está marcado para as 13 horas, horário local, no estádio Ciudad de Cumaná.

Empresas aéreas como Alitalia, American Airlines, Air France, Air Canada, Avianca, Lufthansa e Copa Airlines reduziram ou suspenderam muitos dos seus voos e frequências para a Venezuela desde março.

Em razão do controle cambial em vigor no país desde 2003, as empresas não conseguem converter para dólares as receitas obtidas em bolívares, a moeda local, com a venda das passagens. Com inflação anualizada de quase 60% e dificuldades para obter divisas até mesmo para a importação de produtos de primeira necessidade, a Venezuela tem atrasado o repasse para as empresas aéreas desde 2012.

No auge da crise, o governo ameaçou punir as companhias aéreas que reduzissem ou cancelassem voos para o país. "Não há nenhuma desculpa para que as linhas áreas reduzam voos para a Venezuela. Empresa que deixar o país não voltará (a operar na Venezuela) enquanto estivermos no governo", ameaçou o presidente Maduro.

Em maio, a companhia brasileira Gol disse que reconheceria perdas de R$ 75,9 milhões em recursos bloqueados na Venezuela no balanço do primeiro trimestre. "Não podemos prever se seremos capazes de transferir de forma economicamente viável nosso caixa até então mantido na Venezuela", afirmou a companhia. De acordo com comunicado, a empresa tinha R$ 350,3 milhões na Venezuela em março. "Apesar do cenário de incertezas, planejamos repatriar o saldo remanescente."

Suspensão. A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), órgão que regula o setor, suspendeu ontem o programa de rádio Aquí Entre Tú y Yo, da Radio Caracas Radio (RCR), comandado pela jornalista Nitu Pérez Osuna. Em três meses, é o segundo programa suspenso da RCR, uma das poucas emissoras críticas ao governo. Em maio, Plomo Parejo, do jornalista Iván Ballesteros, foi retirado do ar. / AFP

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