Crise afeta diálogo entre Israel e palestinos, diz Patriota

Os levantes no Cairo e em Túnis também devem influenciar o conflito entre israelenses e palestinos, segundo o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota. Na avaliação do chanceler, os acontecimentos no mundo árabe podem ter um processo positivo na resolução das disputas entre Israel e a Autoridade Palestina (AP). E acrescentou que a ONU tem observado o Iêmen.

GUSTAVO CHACRA E LEONÊNCIO NOSSA, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2011 | 00h00

"A frustração da juventude em países árabes como o Egito e a Tunísia também se relaciona até certo ponto com os impasses nas relações entre israelenses e palestinos, que se prolonga há vários anos, com a ausência de progresso", disse o ministro, que presidiu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sede da organização em Nova York.

Segundo Patriota, que embarca hoje para o Haiti, houve uma pressão "ontem para a retomada das negociações de paz nas conversas na ONU". Ele disse ser possível, "conforme declarou (o presidente americano) Barack Obama", que um Estado palestino seja criado ainda neste ano.

Em Brasília, o Planalto manifestou ontem a expectativa por uma transição política no Egito sem derramamento de sangue e sem violações dos direitos humanos. Em entrevista no final da tarde, o assessor de assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse que os novos dirigentes do Cairo precisam escutar as ruas.

"Aqueles setores do sistema político à frente da transição precisam ter ouvidos atentos para as ruas", afirmou. "As ruas fizeram escutar sua voz, tanto que uma série de tentativas de conter o movimento num quadro estreito sucumbiu."

Garcia disse que a comunidade internacional deve ter "sensibilidade" para entender que a crise não é um fenômeno isolado no Norte da África e não se esgotou. "Houve uma vitória importante das reivindicações populares com a saída do presidente (Hosni) Mubarak. Temos de ver o que vai acontecer daqui para frente", disse. "Acredito que, pelo que houve até agora, é muito difícil que a vontade das ruas seja confiscada."

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