EFE/Jorge Torres
EFE/Jorge Torres

Crise afeta turismo na Nicarágua e prejuízo seria de US$ 100 milhões

Onda de protestos contra governo deixou 45 mortos, reservas canceladas e arranhou imagem do país

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2018 | 19h59

MANÁGUA - A onda de protestos que deixou 45 mortos na Nicarágua nas últimas duas semanas afetou o turismo, uma das principais atividades econômicas do país. Segundo a Câmara Nacional do Turismo (Canatur), a crise causará um prejuízo de US$ 100 milhões. 

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O turismo é em um dos setores mais dinâmicos da economia nicaraguense e um dos que mais cresceu nos últimos anos. Segundo o Instituto Nicaraguense de Turismo (Intur), 200 mil turistas visitaram o país em abril de 2017 – o dobro do que a Nicarágua recebeu no mesmo período de 2016. “Após a crise, registramos vários cancelamentos, principalmente reservas para os próximos três meses”, disse Lucy Valenti, diretora da Canatur.

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Agências de viagens também se queixam de hotéis e restaurantes vazios. Este anos, o país esperava receber 1,5 milhão de turistas e arrecadar US$ 1 bilhão. “Estávamos lotados até duas semanas atrás”, disse um dono de pousada no balneário de San Juan del Sur. “Agora, houve uma debandada. Acho que os turistas foram para a Costa Rica.”

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A onda de insatisfação começaram com protestos contra a reforma da previdência decretada pelo governo, mas logo se transformaram em manifestações contra o presidente Daniel Ortega, que governa o país há 11 anos. A dura repressão da polícia teve repercussão internacional. O Departamento de Estado dos EUA retirou as famílias de seus funcionários da embaixada e os navios de cruzeiro passaram a mudar de rota.

Ortega, que suspendeu a reforma após a pressão popular, reclamou. “Estão destruindo a imagem da Nicarágua, depois de tudo o que fizemos para construir essa imagem”, disse o presidente em um discurso na televisão. “A imagem da Nicarágua era uma imagem de guerra e morte. Quanto turismo, investimento e empregos isso vai nos custar?”

Neste domingo, 6, o Parlamento da Nicarágua – dominado por partidários de Ortega – estabeleceu uma comissão batizada de “Verdade, Justiça e Paz” para investigar a morte de 45 pessoas durante os protestos. Grupos de defesa dos direitos humanos, empresários, a Igreja e associações de estudantes criticaram a comissão, que seria incapaz, segundo eles, de realizar uma investigação independente. / REUTERS e AFP

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