Hunter Cone/EFE/EPA
Hunter Cone/EFE/EPA

Crise ajuda a sepultar o isolacionismo americano; leia análise

Por anos, republicanos rejeitaram especialistas em segurança nacional, zombaram de organizações internacionais e demonstraram desprezo pelos aliados; invasão da Ucrânia muda tudo

Jennifer Rubin, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2022 | 05h00

Graças a Vladimir Putin, o slogan constrangedor “os EUA em primeiro lugar” pode ser sepultado. Os republicanos, mesmo os que nunca foram apaixonados por Donald Trump, se deliciaram nos últimos cinco anos com o isolacionismo americano. Eles rejeitaram a os especialistas em segurança nacional, zombaram de organizações internacionais e demonstraram desprezo pelos aliados. 

Nem mesmo a pandemia, as mudanças climáticas e os ciberataques, todos elementos que exigem cooperação internacional, conseguiram convencer os conservadores americanos de que o isolacionismo nos tornou mais fracos e vulneráveis. Então, veio a Ucrânia.

Com ela, nunca a Otan foi tão importante. A ONU ganhou vida de novo. Putin e seus cúmplices passaram a ser investigados por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional. O Conselho de Segurança tornou-se um fórum para criticar a Rússia e desmascarar sua propaganda.

Na quarta-feira, a Assembleia-Geral aprovou uma resolução (embora não vinculativa) na qual 141 países condenaram a invasão e exigiram que os russos deixem a Ucrânia.

Os aplausos dos republicanos ao discurso de Joe Biden no Estado da União, na terça-feira, são o reconhecimento de que o slogan “os EUA em primeiro lugar” já era. Em seu lugar, vemos um consenso de que os EUA, seus aliados e organismos internacionais promovem nossos interesses de uma forma que o país sozinho não pode.

Até nossos rivais entendem o poder do multilateralismo. É por isso que Putin está tão empenhado em enfraquecê-lo. “Putin deseja destruir as instituições multilaterais europeias e as normas continentais sobre democracia e direitos humanos”, disse Michael McFaul, ex-embaixador americano na Rússia. “É exatamente por isso que precisamos fortalecê-las.”

Somente os EUA têm estatura, influência e poder para forjar e manter alianças que preservem a paz, a ordem internacional, melhorem o comércio e defendam os valores democráticos. A força americana deriva não do isolamento, mas de encontrar maneiras de multiplicar nossas vantagens e aprimorar nossos valores. Entre as muitas consequências da crise na Ucrânia está a morte da nostalgia equivocada dos republicanos. Agora, quem sabe eles também descartem sua paixão pelo autoritarismo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.