Crise alimenta nacionalistas, diz UE

Para os especialistas em segurança da União Europeia, as dificuldades econômicas têm alimentado atitudes nacionalistas. Levantamentos apontam para um aumento dos incidentes provocados pela direita neonazista. Em 2011, a revelação de que o grupo cometeu uma série de assassinatos de estrangeiros na Alemanha mostrou que, mesmo num país onde esse movimento não é tolerado, jovens ainda encontram espaço e meios para conduzir suas atividades.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h05

Na Áustria, um recente relatório preparado pelo Ministério da Justiça confirmou um aumento de 31% nos incidentes registrados com grupos de extrema direita. No total, registraram-se 1040 casos em 2011, dos quais um terço foi de "violência física". Outro levantamento feito em novembro pela entidade britânica Demos concluiu que não há dúvidas de que o movimento de extrema direita está em expansão em toda a Europa e os novos integrantes são em sua maioria jovens intimamente ligados à geração da internet.

O levantamento com mais de 10 mil simpatizantes de movimentos extremistas concluiu que o que os une é um forte sentimento nacionalista e anti-imigrantes. Eles em geral têm menos de 30 anos, são desempregados e críticos em relação a seus governos. A maioria não faz parte de um movimento específico, mas nem por isso deixa de ser uma ameaça.

Em dezembro, o italiano Gianluca Cassere saiu de sua casa determinado a "limpar" Florença dos senegaleses que atuam como vendedores ambulantes. Matou três antes de se suicidar. Políticos apressaram-se em garantir que se tratava de um caso isolado. No dia seguinte, um grupo no Facebook foi criado chamado "Gianluca morreu por nós", com a participação de mais de 6 mil simpatizantes. Em um dos comentários, um simpatizante alertava: "Esse foi só o começo. Vamos limpar a Itália".

"Não se pode mais falar de casos isolados quando eles são tão numerosos e espalhados por vários países", alerta o sociólogo Jean Ziegler. Para ele e outros especialistas, partidos políticos devem ser os responsáveis por frear essas tendências, e não usar o sentimento anti-Islã ou nacionalista desse grupo para ganhar votos. Para Ziegler, é justamente essa manipulação que tem levado ao crescimento dos partidos extremistas na França, Suíça, Itália, Áustria, Dinamarca, Holanda e nos países escandinavos.

"Os eventos na Alemanha e em outras regiões provam que a ameaça à segurança não vem apenas de uma fonte", disse o relatório preparado pela UE, indicando que o continente teria focado de forma exagerada o combate à militância islâmica, deixando aberto o caminho para o radicalismo de outras tendências. Segundo a UE, não significa que a ameaça do islamismo radical tenha desaparecido. "Jovens austríacos estão sendo recrutados por grupos terroristas", advertiu a ministra do Interior da Áustria, Johanna Miki Leitner. / J.C.

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