Crise alimentar na África vai até meados de 2012, diz UE

A crise no Chifre da África, que ameaça matar de fome mais de 13 milhões de pessoas, vai continuar durante o início e possivelmente até a metade de 2012, disse na terça-feira a comissária de Ajuda Humanitária da União Europeia, Kristalina Georgieva.

EMMA BATHA, REUTERS

06 de dezembro de 2011 | 16h50

Ela disse que outra região africana, o Sahel, também enfrentará uma crise de fome "muito dramática" no ano que vem, e que alguns países parecem estar ignorando o problema.

A crise no Chifre da África (noroeste do continente) decorre da pior seca em várias décadas na região, e afeta Somália, Etiópia, Quênia e Djibuti.

Georgieva disse que cerca de 250 mil pessoas correm o risco de morrer de fome na Somália, onde duas décadas de guerra civil exacerbam o problema. A situação é crítica no centro e sul do país, onde rebeldes do grupo Al Shabaab, afiliados à Al Qaeda, proibiram na semana passada a presença de 16 agências humanitárias.

"A crise continuará pelo menos até a primavera (boreal), e possivelmente até o verão", disse a comissária a jornalistas em Londres, antes de se reunir com o ministro britânico do Desenvolvimento, Andrew Mitchell.

Georgieva se disse preocupada com as repercussões de longo prazo da crise na Somália, devido ao grande número de refugiados instalados em acampamentos do Quênia, Etiópia e Iêmen. Devido à crônica instabilidade na Somália, esses refugiados dificilmente voltarão ao país quando a crise terminar.

A comissária disse que provavelmente há de 400 a 500 mil somalis no Iêmen, país mais pobre da Península Arábica, e que também enfrenta graves turbulências políticas. A cifra equivale ao dobro da estimativa oficial.

"O fluxo de refugiados de um país pobre para outro tem implicações em termos de estabilidade e segurança", acrescentou.

Segundo ela, a atual onda de fome mostra que governos e doadores precisam se empenhar mais para evitar que secas se transformem em crises humanitárias completas.

"A seca no Chifre da África... é um alerta sobre o quanto mais precisamos fazer para prever e prevenir que as secas se transformem em assassinas. Não podemos impedir as secas, mas podemos impedir a fome", afirmou.

Quanto ao Sahel, ela disse que a iminente crise alimentar pode ser pior do que a de 2010, porque áreas vizinhas também devem sofrer dificuldades alimentares, perdendo sua capacidade de funcionar como um anteparo.

Segundo ela, até o norte da Nigéria pode ser afetado. Níger e Mauritânia já emitiram alertas por causa da instabilidade das chuvas e de infestações por insetos em lavouras.

Embora esses devam ser os países mais afetados, Georgieva disse que ambos estão "olhando para o problema de olhos abertos" e tomando precauções que incluem a formação de estoques alimentares.

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