'Crise argentina e Brasil instável nos afetam'

Tabaré encontra um cenário nos vizinhos, Brasil e Argentina, bem diferente do que pegou em 2005, quando havia amplo crescimento. O que deve fazer?

O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2014 | 02h00

A crise na Argentina e a instabilidade no Brasil afetam o Uruguai. Preocupa mais a Argentina, muito mais imprevisível que o Brasil. Nossa venda de bens com valor agregado deve cair, com o crescimento baixo nos vizinhos. Mas o próprio Uruguai tem mantido uma política econômica que já traz problemas.

Qual?

Nestes dez anos de governo de esquerda, se criaram condições para receber investimentos estrangeiros, com fábricas de celulose, frigoríficos e plantação de soja, por exemplo. Mas o país não se industrializou. Tem todos os problemas de países que dependem de venda de commodities.

Chama atenção o custo de vida no Uruguai. A população admite que os salários subiram, mas reclama dos preços.

A moeda está supervalorizada, por isso há preços muito acima do que corresponde a nossa economia. Os salários tornaram-se caros em dólar, o que nos impede de competir com preços mais adequados.

Qual a saída?

Uruguai vai ter de realizar algum tipo de ajuste, uma desvalorização da moeda, o que progressivamente até vem ocorrendo. Há alguns meses, o dólar estava a 21 pesos. Agora, está em 24. Mas o essencial é uma política de industrialização.

O senhor é referência em um grupo de economistas de esquerda, mas se mostra pessimista. Por que?

Respondo com dados, não é pessimismo. Este é um cenário muito pior para Tabaré, não só pela condição dos vizinhos, mas porque quando assumiu, em 2005, o Uruguai vinha de uma fortíssima crise em 2002, com desemprego e queda do PIB. Tivemos um enorme avanço na política de conciliação de classes na última década. Com isenções, atraímos investidores. Mas os ganhos fizeram subir os salários. Este cenário se esgotou.

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