Crise causa corte de recursos para programas de saúde

O Global Fund, maior financiador do mundo na luta contra três doenças que podem levar à morte - aids, tuberculose e malária -, alega que ficou sem dinheiro para lançar novos programas de subsídios nos próximos dois anos, uma situação que provavelmente vai atingir os pacientes pobres com aids ao redor do mundo. Um funcionário da entidade afirmou nesta quinta-feira que o fundo foi forçado a deixar de conceder subsídios até 2014 por causa dos problemas econômicos globais provocados pela crise da dívida nos Estados Unidos e na Europa.

AE, Agência Estado

24 de novembro de 2011 | 17h01

Um painel independente recomendou em setembro que o fundo adotasse salvaguardas financeiras mais austeras após a organização ter resistido a intensas críticas e dúvidas entre alguns de seus maiores doadores. O fundo criou o painel - presidido pelo ex-secretário de serviços humanos e de saúde dos Estados Unidos Michael Leavitt e pelo ex-presidente de Botsuana Festus Mogae - em março para esclarecer as preocupações entre os doadores após artigos da Associated Press em janeiro abordarem a perda de milhões de dólares por causa de má gestão e suposta fraude.

O fundo baseado em Genebra foi criado em 2002 em um coordenado esforço mundial contra as três doenças e para acelerar recursos emergenciais de nações ricas e doadoras para os locais mais atingidos por elas. Desde a sua criação, o fundo, que é estritamente uma ferramenta de financiamento, já desembolsou cerca de US$ 15 bilhões em programas - US$ 2,8 bilhões somente este ano, inclusive para pagar o tratamento para cerca da metade dos pacientes que sofrem de aids nos países em desenvolvimento.

Com doações cada vez mais difíceis de se obter, o fundo diz que apenas pode manter ativos os programas existentes contra a aids, sem expandir seus serviços ou adicionar novos pacientes a eles. "Não estamos cortando (serviços), não estamos expandindo", afirmou o presidente do conselho do fundo, Simon Bland, em Accra, Gana, onde o conselho se reuniu nesta semana.

Ele disse que o fundo teve de tomar duras decisões para preservar seus avanços. Entre elas estavam centenas de milhões de dólares em empréstimos planejados para China, Brasil, México e Rússia que agora vão ser usados para outros fins, afirmaram funcionários da entidade.

"É profundamente preocupante que, inadvertidamente, os milhões de pessoas que estão lutando contra doenças que podem levar à morte estão em perigo de pagar o preço pela crise financeira global", disse, em comunicado, o diretor executivo do fundo, Michel Kazatchkine. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
saúdeGlobal Fund

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.