Crise de poder no Líbano deixa cristãos inquietos

Presidência está interinamente nas mãos do premiê sunita, que promete resolver logo o impasse

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

Mesmo com o Exército nas ruas, os libaneses tiveram ontem um dia normal. Alguns foram almoçar nas montanhas. Outros caminharam no calçadão à beira-mar. Afirmando cumprir a Constituição, o governo do premiê Fuad Siniora assumiu os poderes presidenciais interinamente. A oposição protestou, como era de se esperar, mas não tomou nenhuma atitude. Até agora, o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, não se manifestou. No meio político libanês, tudo continua como antes, com todos em compasso de espera para tentar escolher mais uma vez um presidente quando o Parlamento se reunir no dia 30.Mas há uma importante diferença: desde a saída do ex-presidente Émile Lahoud à meia-noite de sexta, o chefe de Estado do Líbano não é um cristão maronita, o que deixa preocupada a parcela cristã da população. Os dois principais líderes cristãos, Samir Geagea, ligado à coalizão governista 14 de Março, e Michel Aoun, da opositora 8 de Março, demonstraram apreensão com a ausência de um cristão na presidência. "A solução não está na transferência de poderes para o governo de Siniora, e sim na eleição de um novo presidente", disse Geagea, em uma declaração forte para um dos mais árduos aliados do primeiro-ministro. Aoun, durante a semana, já vinha expressando contrariedade com o envolvimento de sunitas e xiitas na escolha do presidente. "Esse é um cargo dos cristãos e nós é que devemos escolher", chegou a dizer o ex-general.Para acalmar os cristãos, Siniora foi visitar ontem o patriarca maronita Nasrallah Sfeir, principal autoridade cristã libanesa. Na saída, Siniora disse que "não aceitará que o Líbano não tenha um presidente". Ele prometeu trabalhar com os grupos rivais para chegar a um consenso sobre um presidente o quanto antes.

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