Crise deixa 100 mil refugiados, diz ONU

Organização pede abertura urgente de corredores humanitários

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2008 | 00h00

O conflito na Geórgia deixou 100 mil refugiados e criou, em menos de uma semana, uma das piores crises humanas das últimas duas décadas no Cáucaso. O alerta é da ONU, que ontem acusou os governos da Rússia e da Geórgia de não terem cumprido um acordo para levar ajuda às vitimas. No fim de semana, a ONU havia recebido garantias de que as agências humanitárias teriam acesso às populações afetadas na Ossétia do Sul. No entanto, até ontem, o sinal verde não havia sido dado. Em declaração ao Estado, a porta-voz da ONU, Elisabeth Byrs, confirmou ontem que a Ossétia do Sul está "devastada" e a fome começa a se instalar na região. "Não há água potável, alimentos nem remédios. Rússia e Geórgia deveriam ter aberto dois corredores humanitários, mas isso ainda não aconteceu e tememos o pior", disse.Na ONU, a avaliação é que a ofensiva russa impediu que o acordo fosse cumprido. "Até hoje nenhum funcionário ou agência da ONU teve acesso real aos locais mais atingidos e isso é inaceitável", afirmou Byrs. Ron Redmond, porta-voz do alto comissário da ONU para refugiados, Antonio Guterres, disse que os corredores deveriam ser criados imediatamente. "Passamos horas negociando esses corredores e pensávamos que eles seriam aceitos, mas houve uma mudança no conflito", disse. Dessa forma, a ONU ficou mais uma vez em uma situação difícil. O Conselho de Segurança não conseguiu chegar a um consenso para resolver o conflito e, agora, é a própria organização que precisa encontrar recursos para lidar com os 100 mil refugiados. Sem ajuda, a única possibilidade para a população tem sido a fuga. Segundo a ONU, algumas cidades da região estão desertas. Em Gori, 80% da população fugiu."No total, estimamos que o número de pessoas que foram expulsas de suas casas, deslocadas ou refugiadas chega a 100 mil", afirmou Redmond. Cerca de 30 mil ossétios estariam em território russo, 12 mil ainda permaneceriam na província, mas fora de suas casas, e outros 56 mil moradores de Gori e cidades vizinhas teriam fugido. Tanto a Unicef como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha pediram ontem mais uma vez acesso às vítimas, mesmo aos prisioneiros que estão nas mãos de russos e georgianos. "Esse acesso pode salvar vidas", afirmou Gordon Alexander, chefe do escritório da Unicef para o Cáucaso, que disse não saber quantas pessoas se tornaram prisioneiros de guerra.Funcionários russos disseram que cerca de 2 mil pessoas morreram na Ossétia do Sul. A Geórgia diz que há 200 mortos.

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