Crise deixa rombo de US$167 bi na ajuda ao desenvolvimento, diz ONU

A crise econômica global deixou um rombo de 167 bilhões de dólares na ajuda internacional ao desenvolvimento, e a situação ainda deve se agravar nos próximos três anos, segundo relatório divulgado na quinta-feira pela ONU.

MICHELLE NICHOLS, Reuters

20 de setembro de 2012 | 18h36

O texto diz que a assistência oferecida por 23 membros do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Internacional) caiu 3 por cento no ano passado, ficando em 133,5 bilhões de dólares.

A ONU recomenda que os países reservem 0,7 por cento do seu PIB para a ajuda internacional ao desenvolvimento, mas em 2011 esse total ficou em apenas 0,31 por cento. Se o total tivesse sido cumprido, o valor da ajuda chegaria a 300 bilhões de dólares.

"A prolongada crise econômica global começou a cobrar seu preço sobre a cooperação internacional para o desenvolvimento", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no prefácio do relatório produzido por um grupo que desde 2007 monitora os avanços rumo às oito Metas de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidas em 2000 pela ONU, para serem cumpridas até 2015.

"No ano passado, a assistência oficial ao desenvolvimento caiu pela primeira vez em muitos anos, enquanto as medidas comerciais protecionistas se intensificaram", disse Ban.

"A despeito de consideráveis restrições fiscais, vários países doadores continuam cumprindo as metas globalmente acertadas (...). Esses esforços podem e devem ser imitados", afirmou.

Apenas Suécia, Noruega, Luxemburgo, Dinamarca e Holanda cumpriram a meta de ajuda de 0,7 por cento do PIB. As maiores contrações foram na ajuda internacional dada por Grécia e Espanha - resultado direto da crise econômica -, seguidas por Áustria e Bélgica, que reduziram as concessões de perdões de dívidas.

Entre os demais membros do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento estão Grã-Bretanha, Finlândia, Irlanda, França, Suíça, Alemanha, Austrália, Canadá, Portugal, Nova Zelândia, Estados Unidos, Itália, Japão e Coreia do sul.

"O crescimento do núcleo da assistência oficial ao desenvolvimento deve se estagnar entre 2013 e 2015, refletindo o impacto retardado da crise econômica global sobre os orçamentos dos países doadores", disse o relatório.

O relatório também critica a adoção de medidas comerciais protecionistas no G20 (bloco das maiores economias mundiais) e recomenda a busca por um acordo que conclua a Rodada Doha da abertura comercial global, que começou a ser discutida em 2001.

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