Crise desalojou 230 mil sírios, alerta ONU

As Nações Unidas alertaram ontem que pelo menos 230 mil sírios foram obrigados a deixar suas casas, após um ano de instabilidade política. A Síria vive uma "grave crise humana", reforçou a ONU.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2012 | 03h04

A pressão para que Damasco permita o acesso de organizações de ajuda humanitária e a retirada de feridos vem crescendo nos últimos meses. Em meio aos debates sobre como a comunidade internacional deve ajudar civis sírios, o Brasil criticou o envio de suprimentos apenas para um dos lados em conflito.

Em Genebra, o coordenador da ONU para refugiados da Síria, o grego Panos Moumtzis, disse que ao menos 200 mil sírios haviam sido obrigados a deixar suas casas e buscar abrigo em outras cidades. Oficialmente, estariam na Turquia, Líbano e Jordânia outros 30 mil refugiados da Síria - ainda que esse número inclua apenas aqueles que foram até os escritórios da ONU para se registrar. Na Jordânia, a grande maioria vive clandestinamente em Amã e Ramtha e o governo jordaniano diz que há 70 mil sírios dentro de suas fronteiras.

A ONU encerrou o debate sobre as investigações conduzidas pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, concluindo que o ditador Bashar Assad promove uma "punição coletiva" contra civis. O Itamaraty "lamentou profundamente" a falta de cooperação do governo sírio com a ONU e pediu a Damasco que reavalie sua atitude diante da comissão de investigação, permitindo a entrada de Pinheiro no país.

O recado do governo brasileiro não foi apenas aos sírios. O Brasil pediu às agências de assistência internacional que "cumpram de forma estrita os princípios humanitários, em especial a imparcialidade e independência". O que o governo teme é que, assim como ocorreu na Líbia, os canais de ajuda humanitária sejam usados para permitir uma assistência aos grupos rebeldes ou que beneficie apenas os feridos de um lado no conflito.

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