EFE/Juan Ignacio Mazzoni
EFE/Juan Ignacio Mazzoni

Crise do Mercosul persiste após reunião 

Após encontro considerado ‘frustrante’ por fontes diplomáticas, representante paraguaio diz que seu país considera vaga a presidência rotativa da entidade, que o Uruguai deveria ter transmitido no começo do mês para a Venezuela

Lu Aiko Otta / BRASÍLIA e Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2016 | 05h00

Após um dia inteiro de uma reunião considerada “frustrante” por fontes diplomáticas, representantes dos quatro países fundadores do Mercosul não conseguiram ontem solucionar o impasse que se arrasta há várias semanas sobre a presidência temporária do bloco, reivindicada pela Venezuela. 

Caracas não enviou representante e, logo após o encontro em Montevidéu, convocou uma nova reunião para as 11 horas de hoje, na sede da secretaria do Mercosul, “com o objetivo de abordar os desafios e o futuro do bloco e de avançar em uma maior e melhor integração durante o segundo semestre”.

Com a resistência do Uruguai em aceitar que o bloco seja conduzido por uma comissão formada pelos quatro sócios até o fim deste ano, quando se encerra o período correspondente ao que seria a presidência da Venezuela, a crise do Mercosul corre o risco de entrar num terreno desconhecido. Após a reunião em Montevidéu, o negociador uruguaio pediu tempo para consultar os altos escalões de seu governo. Uma resposta é aguardada para hoje ou amanhã.

“Se eles disserem não, estaremos diante de uma crise complicada”, disse uma fonte diplomática, sem adiantar mais detalhes. “O Mercosul simplesmente não vai funcionar, e isso é muito grave.”

Em princípio, o Uruguai apoia a transmissão da presidência para a Venezuela, mas Paraguai, Brasil e Argentina se opõem. Em uma carta enviada logo após a reunião de ontem, Caracas convocou para hoje um encontro que a seu juízo seria importante “para preservar a integridade do Mercosul”. Não estava claro, porém, se desta vez todos os integrantes – incluindo a Venezuela – participariam, o que poderia ser um sinal de conciliação.

Conforme o vice-ministro de Relações Econômicas e Integração paraguaio, Rigoberto Gauto, representante de Assunção no encontro, houve coincidências entre Brasil, Argentina e Uruguai na reunião de ontem, mas o comando administrativo seguiria vago. 

Ele evitou dar detalhes sobre as alternativas para superar o impasse e disse que seriam levados relatórios aos chanceleres. Um representante de Caracas foi convidado, mas não compareceu sob alegação de que o encontro não era uma atividade oficial do bloco.

Durante a reunião, os quatro países reconheceram que a Venezuela não cumpriu as condições para ser aceita como membro pleno do bloco. Isso porque não recepcionou, em sua legislação, as normas já adotadas pelos demais países sócios. O prazo para o cumprimento dessa condição encerrou-se no último dia 12. 

A situação de inadimplência já havia sido registrada em uma carta assinada pelos quatro chanceleres e enviada a Caracas há uma semana. Um ponto positivo, na visão da diplomacia brasileira, é que o Uruguai se alinhou a essa avaliação. Mais do que isso, os uruguaios, pela primeira vez teriam reconhecido, segundo o Brasil, que a Venezuela não tem condições de presidir o Mercosul, uma vez que, na hipótese de ela convocar uma reunião, a maioria dos sócios não irá.

Diante dessa constatação, os negociadores passaram o dia formulando uma proposta para conduzir os trabalhos do Mercosul até janeiro, quando a presidência passa para a Argentina. 

 

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