Crise do papel leva jornal da Venezuela a reduzir páginas

O jornal diário El Nacional, um dos maiores da Venezuela, eliminou ontem mais de 40% de suas páginas e reduziu a edição a dois cadernos em uma tentativa de aproveitar ao máximo as últimas reservas de papel-jornal e evitar o fechamento da publicação.

CARACAS , O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2014 | 02h13

A informação foi divulgada por seus diretores, que anunciaram também a ida do editor-presidente, Miguel Henrique Otero, para a Colômbia para buscar ajuda entre os meios de comunicação no país vizinho.

Os jornais da Venezuela alegam estar enfrentando uma crise de escassez do papel-jornal, que atribuem ao atraso de vários meses da entrega, pelo governo, das divisas necessárias para importar esse insumo. O governo nega. No dia 21, o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello, alegou que havia um carregamento de 13,7 mil bobinas de papel-jornal que não havia sido retirado do porto de La Guaira. "É muito suspeito", disse ele.

Para evitar seu fechamento, El Nacional reduziu o tamanho das edições de segunda a sábado de 28 para 16 páginas, todas com dois cadernos. A edição de domingo continuará com quatro cadernos, informou o diário.

Forte crítico do governo, o jornal também reduziu a tiragem, no mesmo período. De segunda a sábado, ela era de 85 mil exemplares e, no domingo, de 240 mil. A empresa não informou, porém, para quanto cairiam esses números.

Repercussão. O Bloco de Imprensa, principal associação de jornalistas na Venezuela, emitiu um comunicado, no qual expressou sua preocupação com a "retórica dilatória do regime" com relação às solicitações de divisas para a importação do papel-jornal. A entidade disse que pediu reiteradamente ao governo uma solução para o "crítico problema".

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, em espanhol), já havia se manifestado do dia 22. Na ocasião, a organização alertou que a demora para liberar dólares para as empresas jornalísticas pode ser um "golpe fatal" para a imprensa independente e crítica. / AP e EFE

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