REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Crise e apagões fazem produção de petróleo na Venezuela cair drasticamente

De fevereiro para março, país reduziu em quase 30% sua extração diária da commodity, segundo relatório mensal divulgado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep); apagão que paralisou o país por 5 dias agravou crise no setor petroleiro

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 17h04

CARACAS - A produção de petróleo na Venezuela caiu drasticamente em março em razão da grave crise política e econômica enfrentada pelo país, agravada pelos constantes cortes no fornecimento de energia, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

De acordo com o relatório mensal da Opep, o país caribenho produziu 732 mil barris diários naquele mês, uma queda de 28,3% em comparação com fevereiro, quando a produção estava na casa de 1 milhão de barris/dia, e de mais de 60% em comparação com 2017, quando Caracas extraia cerca de 2 milhões de barris diariamente.

Desde 7 de março, início do grande apagão que deixou praticamente todo o país no escuro por cinco dias, houve cortes energéticos esporádicos na Venezuela que afetaram o setor petroleiro e a economia de forma geral.

Os apagões coincidem com um contexto político tenso entre o presidente Nicolás Maduro e o líder opositor Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como presidente interino.

Segundo especialistas, a produção de petróleo na Venezuela, que tem as maiores reservas conhecidas do mundo, caiu nos últimos anos por falta de investimento em infraestrutura e de pessoal capacitado. Além disso, a estatal PDVSA está sob sanções dos EUA, o que dificulta a venda da commodity.

Queda global

A produção do países-membros da Opep também foi impactada pela redução na extração de petróleo na Arábia Saudita, que diminuiu em 324 mil barris/dia.

Líder de facto do grupo, os sauditas mostram interesse em manter seu nível de produção abaixo da sua capacidade máxima para que os preços do petróleo continuem em alta - a Opep e seus sócios, incluindo a Rússia, concordaram com em limitar sua produção pelo menos até junho.

O efeito desse acordo foi radical e o preço do petróleo subiu no primeiro trimestre de 2019 para níveis que não eram vistos desde 2005.

Outros países também reduziram sua produção em março, como o Iraque (- 126 mil barris/dia) e, em menor medida, o Irã (- 28 mil barris/dia). Por outro lado, a Líbia aumentou em 196 mil barris/dia sua extração naquele mês - antes dos combates entre as forças do marechal Khalifa Haftar e do governo de união nacional. / AFP

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