REUTERS/Marco Bello
REUTERS/Marco Bello

Crise econômica na Venezuela faz crianças abandonarem as escolas

Maioria ficou em casa em razão da dificuldade das famílias em comprar material escolar e comida

O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2018 | 21h22

CARACAS - A crise econômica na Venezuela atingiu a sala de aula. O ano letivo começou na segunda-feira, 17, mas com salas vazias e sem alunos. A maioria teve de ficar em casa em razão da debilitante crise econômica que tem deixado muitas famílias sem condições de comprar materiais ou fornecer comida suficiente para que as crianças foquem nas tarefas escolares.

O país membro da Opep sofre com os preços baixos do petróleo e por um desmoronamento do sistema econômico, deixando milhões lutando para comer e centenas de milhares fugindo para países vizinhos em busca de condições melhores.

Pelo menos 6,4 milhões de alunos estão matriculados em escolas públicas e 1,2 milhão em institutos privados. Embora as aulas frequentemente demorem semanas para entrar em ritmo total, professores disseram que o índice de ausentes é significativamente maior neste ano.

Na pobre região rural de Caucagua, a 75 quilômetros de Caracas, somente três alunos foram à Unidade Educacional Miguel Acevedo, uma escola primária que tem 65 alunos registrados, disse a diretora Nereida Veliz. “O comparecimento está bem baixo porque as crianças não estão vindo às aulas”, disse Veliz na pequena escola, que está sem energia elétrica e onde a água corrente só funciona três dias na semana. 

Segundo especialistas, a maioria dos alunos geralmente vai à escola em busca da merenda fornecida pelo Estado. “Eles não comem em casa, então, aproveitam para comer aqui”, disse Veliz.

O ministro da Educação, Aristobulo Istúriz, disse na semana passada que aulas começariam nesta semana para 7,6 milhões de alunos em 30 mil escolas no país, um número que inclui 5 mil escolas particulares.

No entanto, a disparada inflacionária na Venezuela deixou os preços de lápis, livros e uniformes fora do alcance do cidadão comum. Além disso, a queda acentuada no fornecimento de transporte público se tornou uma limitação de atividades que variam desde a entrega de produtos ao transporte escolar de crianças. 

“Fiz um grande esforço para trazer meu filho à escola. Parte desse uniforme é do ano passado e das coisas de seu irmão”, disse Omaira Bracho, de 50 anos, na cidade costeira de Punto Fijo, no Estado de Falcón. Ali, só três dos 365 alunos foram à aula. “Encontrei sapatos em promoção. Mas a coisa mais difícil são os materiais escolares”.

Segundo a representante do sindicato dos professores, Mari García, historicamente, “muitas crianças perdem os primeiros dias de aula”. “Mas nunca foram tantos”, disse Guerra. No Estado de Táchira, fronteira com a Colômbia, Javier Tarazona, do sindicato local dos professores, afirmou que as aulas não começaram em razão de problemas como a falta de energia elétrica, higiene inadequada e comida insuficiente. Nesta terça-feira, 19, o presidente Nicolás Maduro disse que o ano escolar começou bem, apesar da “guerra econômica promovida pelos EUA”. / REUTERS e AFP

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