AFP / RONALDO SCHEMIDT
AFP / RONALDO SCHEMIDT

Crise econômica na Venezuela faz Latam suspender voos para Caracas

Maior companhia aérea da América Latina se junta a Gol, Air Canada, Alitalia e Lufthansa, que também desistiram de suas operações no país por não conseguirem repatriar seus ativos em dólar

O Estado de S. Paulo

31 Maio 2016 | 05h00

CARACAS - Um dia depois de a companhia aérea Lufthansa anunciar o fim de suas operações na Venezuela, a Latam, maior companhia aérea da América Latina, informou a interrupção das rotas para Caracas a partir de Santiago com escala em Guayaquil, Lima e São Paulo. O motivo, segundo a companhia, foi o “cenário macroeconômico complexo que a região atravessa”. 

Em fevereiro, a Gol já tinha abandonado as rotas para a Venezuela. A Latam diz que a decisão vai vigorar por tempo indeterminado. A suspensão é gradual, começou pela rota São Paulo-Caracas e deve ser concluída até o fim de julho com as outras duas linhas. 

Os passageiros que têm reservas para Caracas podem modificá-las ou pedir reembolso sem multas adicionais. “As empresas do grupo Latam consideram (a Venezuela) um mercado relevante e pretendem retomar as operações o quanto antes”, diz o comunicado.

Em razão das distorções provocadas pelo controle de câmbio exercido pelo governo do presidente na Venezuela, Nicolás Maduro, empresas aéreas não conseguem repatriar seus ativos no país em dólar, uma vez que o governo restringe a venda da moeda americana e a inflação cada vez mais alta corrói o valor do bolívar. Na prática, com uma inflação projetada este ano de 780% e sem poder converter os bolívares em dólares, os lucros das companhias aéreas tendem a desaparecer. 

A Latam não especificou quantos dólares estão retidos na Venezuela. A Lufthansa estima que tenha US$ 100 milhões. O problema é que, desde 2013, a taxa preferencial de câmbio do bolívar já passou por duas desvalorizações. Numa futura conversão, as perdas também poderiam ser ampliadas. 

Em março, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) alertou que poucas companhias continuariam operando no país em razão da deterioração da crise econômica. “Você pode sentir a frustração. Algumas empresas dizem de maneira privada que já não conseguem bancar as operações”, disse o presidente da Iata, Tony Tyler.

Referendo. No campo político, o governo venezuelano voltou a acusar ontem a oposição de falsificar ao menos 10 mil assinaturas no processo que pede a instalação de um referendo revogatório do mandato de Maduro. A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) apresentou 1,8 milhão de assinaturas ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para dar início ao processo. Eram necessárias 200 mil. 

“Dizemos com toda responsabilidade que, até este momento, detectamos 10 mil assinaturas de falecidos”, disse o chefe da comissão governista para o referendo criada por Maduro, o chavista Jorge Rodríguez.

Para provar sua denúncia, o porta-voz governista mostrou fichas de pessoas que assinaram a solicitação que estariam mortas. O porta-voz indicou que, nessa auditoria, da qual fez parte a comissão que ele lidera, também há assinaturas de pessoas que não estão inscritas nos cartórios eleitorais, números de documentos ilegíveis, impressões digitais repetidas e outras irregularidades que, segundo ele, invalidam a solicitação.

“Por isso, dissemos e reafirmamos no dia de hoje, 40% disso que a direita entregou ao Conselho Nacional Eleitoral é defeituoso, é fraudulento”, afirmou. O prazo final dado pelo CNE para examinar as assinaturas acaba no dia 2. A oposição acusa o governo de atrasar o processo para impedir a votação. Para que ocorram novas eleições, o referendo precisa ser aprovado ainda em 2016. / AFP, EFE e REUTERS

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