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Crise econômica será desafio para Obama

Com a economia em frangalhos, a criação de novos impostos será inevitável para fechar as contas do país; dívida é de US$ 10,3 trilhões

Patrícia Campos Mello, CHICAGO, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 00h00

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, herdará um país com a economia em frangalhos. Os americanos vivem a pior crise econômica desde a Depressão dos anos 30. Só este ano quase 800 mil empregos foram varridos do mapa. Há mais de 2 milhões de famílias prestes a perder suas casas, bancos estão quebrando e as vendas de veículos da GM caíram 45% em outubro. Segundo um executivo da montadora, outubro foi o pior mês desde a 2ª Guerra.Ao suceder o presidente George W. Bush, Obama receberá um déficit do orçamento de US$ 455 bilhões, no mínimo. O buraco pode chegar a US$ 1 trilhão em 2009, com o pacote de resgate do sistema financeiro e mais medidas de estímulo fiscal que o Congresso quer aprovar. A dívida, no fim do governo Bill Clinton, era de US$ 5,6 trilhões. Agora está em US$ 10,3 trilhões - o maior aumento da história.O presidente terá de trabalhar no combate à crise antes mesmo da posse, em 20 de janeiro. Ele deve se reunir com o Congresso para aprovar medidas de alívio antes do fim do ano - entre elas, possivelmente, um pacote de estímulo fiscal com gastos em obras públicas e a extensão de seguro-desemprego e cupons para alimentos. O presidente do comitê bancário do Senado, o senador Chris Dodd, diz que o presidente eleito deve anunciar seu secretário do Tesouro e sua equipe econômica logo após a eleição. "O presidente terá de desenvolver dois tipos de políticas: uma para o alívio imediato da crise atual; outra, ainda mais importante, para estabelecer um direcionamento de longo prazo para o relacionamento entre o governo americano e a economia americana", disse Allan J. Lichtman, diretor do Departamento de História da American University. Em algum momento, Obama terá de aumentar impostos para fechar as contas. Obviamente, o democrata e o rival John McCain não enfatizaram isso durante a campanha. "O último candidato que disse que elevaria impostos foi Walter Mondale, em 1984. Você sabe em quantos Estados ele ganhou? Em um", disse Lichtman. "Temos um déficit que se aproxima de US$ 1 trilhão e os dois candidatos têm planos que prevêem gastos. Será muito difícil qualquer um dos dois cortar impostos." O presidente eleito pode se ver na mesma situação que George Bush pai. Na convenção de 1988, ele foi muito claro. "Leiam meus lábios - nada de novos impostos", disse. Depois, diante do crescente déficit do orçamento, criou novos tributos.A onda de desregulamentação dos últimos oito anos colaborou para a proliferação dos títulos podres de hipotecas, cerne da crise financeira atual. O novo presidente terá de reformar toda a regulamentação do sistema financeiro, depois de apagar o incêndio da crise. Certamente, haverá um aperto na fiscalização de fundos hedge, fundos de private equity e alguns tipos de derivativos.Com a previsão de que a recessão será mais grave do que se esperava, serão necessários gastos do governo para estimular a economia. No entanto, o próximo presidente terá pouca margem de manobra graças à enorme e crescente dívida pública deixada por Bush. A última vez que um presidente herdou o país em péssimas condições foi nos anos 80, quando Ronald Reagan foi eleito em meio à desaceleração do governo de Jimmy Carter. Em 1992, Clinton assumiu uma recessão leve, que já estava se corrigindo. Outro grande desafio será determinar a magnitude da intervenção na economia. O governo salvou ou promoveu a venda dos bancos Bear Stearns e Merrill Lynch, da seguradora AIG e das gigantes de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac. Em setembro, aprovou o pacote de US$ 700 bilhões para salvar o sistema financeiro, incluindo US$ 250 bilhões para compra de participação acionária em bancos e outras instituições. O presidente terá de decidir quais instituições serão salvas com injeção de capital do governo e quais serão deixadas à própria sorte, como o banco Lehman Brothers. A decisão é difícil, já que a falência do banco causou a quebra de outras instituições.

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