Matty Stern/U.S. Embassy Jerusalem
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Crise em Israel ameaça plano de paz de Trump para israelenses e palestinos

Convocação de novas eleições no país para setembro vai afetar a elaboração e execução do plano que o genro de Trump, Jared Kushner, planejava apresentar no mês que vem 

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2019 | 05h00

A crise política em Israel e a convocação de novas eleições no país para setembro vai afetar a elaboração e execução do  plano de paz israelense-palestino que o presidente americano Donald Trump e seu genro, Jared Kushner, planejavam apresentar no mês que vem. 

Nesta semana, Kushner fez um giro por Marrocos, Jordânia e Israel para tentar arrebanhar apoio aos esboços de um plano econômico para a Palestina, o primeiro passo do plano de paz que Trump chama de “o acordo do século”. Nesta quinta-feira, 30, ao lado  lado de seu braço direito, Jason Greenblatt, e do emissário americano para o Irã, Brian Hook, Kushner se encontrou com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em Jerusalém. 

Kushner, designado há dois anos por Trump para obter um acordo definitivo entre israelenses e palestinos, afirmou a Netanyahu que “não vai desistir dos planos”. Já Netanyahu chamou de “inconveniente” a incapacidade de formar um governo e a convocação de novas eleições. “Mesmo com um pequeno incidente na noite passada, vamos continuar a trabalhar em conjunto. Tivemos uma reunião importante que fortalece a aliança entre os Estados Unidos e Israel”, disse no final do encontro com o genro de Trump.

Apesar do discurso otimista, analistas acreditam ser quase impossível a divulgação de qualquer plano entre israelenses e palestinos com a nova eleição, marcada para 17 de setembro. O plano de paz de Kushner e Trump ainda nem foi esboçado e provocou polêmica norte-americano poderá ser considerado demasiado sensível para ser apresentado durante uma nova campanha eleitoral.

Kushner é o responsável por elaborar as propostas e Greenblatt, um advogado que trabalha com Trump há muito tempo, tem atuado como seu braço direito nas questões relacionadas ao Oriente Médio. 

Sem garantias de que uma coalizão liderada por Bibi permaneça no poder após a nova votação, e sem a recepção entre países árabes esperada por Trump, analistas acreditam que o plano ficará “temporariamente engavetado”.  

“Haverá eleições em setembro, depois a formação do govenro, e a poeira só deve baixar no fim do ano, quando Trump estará engajado em sua própria campanha de reeleição”, afirmou ao Estado Dan Shapiro, ex-embaixador dos EUA em Israel e especialista em resolução de conflitos. “O plano de paz está congelado, talvez para sempre, porque ninguém na região apoia o plano.” 

O governo dos Estados Unidos planeja apresentar em 25 e 26 de junho, em uma conferência em Manama, o projeto econômico do plano de paz israelense-palestino, que não teve o conteúdo político anunciado até o momento. A Autoridade Palestina já anunciou que não comparecerá. A Autoridade Palestina já anunciou que não comparecerá, e outros países árabes já demonstraram descontentamento com o plano.

“A conferência de investidores no Bahrein vai acontecer apenas para provar que o plano continua de pé e não morreu, eles não podem cancelar para não demonstrar fraqueza”, afirmou ao jornal israelense Haaretz Aaron David Miller, um ex-negociador de paz no Oriente Médio em governos republicanos e democratas. “Mas se eles forem espertos, usarão a eleição para arquivar a parte dois do plano e reavaliar os passos depois de 17 de setembro. A dúvida é: eles são espertos?”/ AFP, REUTERS

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