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Crise energética já deixou ao menos11 mil pessoas sem luz na Argentina

Em meio a onda de calor, repartições cancelam expediente para economizar luz

MARINA GUIMARÃES - CORRESPONDENTE ,

30 de dezembro de 2013 | 16h37

BUENOS AIRES  - A crise energética na Argentina já deixou ao menos 11 mil pessoas sem eletricidade, em meio ao dezembro mais quente dos últimos 107 anos, com temperaturas acima dos 36ºC. Com dificuldades para cumprir a demanda, a Argentina terminará o ano com um aumento de 25% das importações de energia elétrica.

Os governos provinciais, municipais e Federal decidiram encerrar os trabalhos antes do feriado do Ano Novo, a partir de hoje, para economizar energia. Em Buenos Aires, o prefeito Maurício Macri decretou estado de emergência. Os bombeiros estão sendo obrigados a resgatar pessoas idosas e que não podem descer escadas dos edifícios sem luz e sem água.

Recolhida em sua residência de El Calafate, na Patagônia, a presidente Cristina Kirchner se manteve em silêncio diante dos protestos recentes contra a crise energética. À frente da reação do governo à escassez, os ministros de Planejamento, Julio De Vido, e o chefe de Gabinete de Ministros, Jorge Capitanich, culparam as empresas distribuidoras de energia pelo problema e ameaçaram estatizar duas companhias: a Edesur e a Edenor.

 

O aumento da importação de energia consome as reservas do BC argentino, que fecharam a última sexta com um estoque de US$ 30,802 bilhões. Conforme projeções do analista Daniel Montamat, ex-secretário de Energia, a conta energética ficaria entre US$ 14 bilhões a US$ 15 bilhões, em 2014. "A conta vai continuar subindo mesmo no cenário de estancamento da economia previsto para 2014 porque a oferta de petróleo e gás continua baixa, exigindo importação", afirmou Montamat.

Para o ex-secretário de Energia, Jorge Lapeña, as estimativas de gastos para 2014 são realistas diante do aumento da demanda de gasolinas, óleo diesel e eletricidade e da baixa oferta nacional. Ele explicou que as falhas na distribuição, provocada pelo curto-circuito de fios e cabos de transmissão e transformadores, se repetem todos os anos, mostrando a falta de investimentos. "Essa situação indica que o problema não é a geração, mas a falta de ampliação da rede e substituição das mesmas", afirmou.

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