Paul White/AP
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Crise espanhola dá poder total a Rajoy

Conservadores do PP conquistam 186 cadeiras do Parlamento de 350 deputados

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / MADRI, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h01

MADRI - A crise garantiu ontem a maior vitória de um partido na história das eleições da Espanha pós-franquista e o maior poder institucional desde o estabelecimento da democracia. Promoveu ainda a pior derrota da história dos socialistas, que receberam 2,6 milhões de votos a menos do que a abstenção - opção de mais de 9 milhões de eleitores.

 

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Mariano Rajoy, do conservador Partido Popular, assume com carta branca para implementar um duro programa de austeridade - um alívio para os líderes da UE e os mercados.

Com a confirmação da vitória conservadora nas urnas, a sociedade espanhola também envia um duro recado aos políticos tradicionais, optando por dar maior poder aos partidos menores (serão 11 deles no Legislativo), ampla abstenção e votos de protesto.

Rajoy chega ao poder com a missão de cortar do orçamento 20 bilhões e cumprir as condições impostas por Bruxelas. "Tempos difíceis virão pela frente", declarou Rajoy no primeiro discurso após a vitória (mais informações sobre o discurso de Rajoy na página 12).

O PP terá 186 cadeiras na Câmara Baixa (Congresso) do Parlamento, quando precisava de 175 para ter maioria. Também obteve 136 das 208 vagas no Senado - 0s rivais do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ficaram com 48 - e conquistou o governo de pelo menos 11 das 17 comunidades autonômicas, além da grande maioria de prefeituras nas maiores cidades.

Baixa participação. Na eleição de ontem, a taxa de participação foi a mais baixa em 11 anos - sintoma do acúmulo de 5 milhões de desempregados e milhões de outros descontentes. Os votos nulos sobraram em comparação a 2008 e, junto com a abstenção, chegaram perto da quantidade de votos recebidos pelo PP. "A direita chega com poder absoluto, mas margem mínima de manobra", afirmou o analista político Jesus Ceberio.

As urnas espanholas confirmaram ontem que a crise econômica não perdoa governos e promove um tsunami político na Espanha. O PSOE perdeu 59 cadeiras no Parlamento. Mas a crise mundial não faz distinção de ideologias: 21 governos regionais que estavam sendo disputados não foram reeleitos.

José Luiz Rodríguez Zapatero assumiu o poder em 2004 com a promessa de fortalecer os direitos sociais dos espanhóis. Deixa o cargo com um país em colapso e marcando história. Ontem, ele nem sequer falou com a imprensa e nem apoiou o candidato derrotado dos socialistas, Alfredo Rubalcaba.

De 169 cadeiras que tinha, o PSOE ficou com apenas 110, resultado pior do que imaginavam os integrantes do partido e abaixo de todos os resultados anteriores, desde 1977.

O protesto também foi traduzido no avanço histórico de pequenos partidos. O Parlamento espanhol terá um número recorde de partidos no Congresso, um total de 13.

Antes das eleições, o domínio do PP e dos socialistas chegava a 83% das 350 cadeiras no Parlamento. Depois, caiu para cerca de 70%. Partidos como a Esquerda Unida passou de dois para onze deputados e o CiU chegou a 16.

Queda em redutos. Os socialistas perderam alguns de seus tradicionais redutos, como a Catalunha.

Na Andaluzia, os socialistas deixam o poder pela primeira vez em 30 anos. Dos 41 confrontos diretos entre socialistas e conservadores pelo país, o PP venceu em 39. "Governamos durante a pior crise da história de nosso país", justificou Rubalcaba, diante de poucas pessoas e se transformando no oitavo governo europeu vítima da crise mundial.

A derrota ainda abre caminho para a sucessão de Zapatero como líder do partido. Ontem, Rubalcaba exigiu que um congresso se convoque para debater o assunto.

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