Crise faz Obama rever promessas eleitorais

Democrata diz que por causa da crise financeira precisa refazer os cálculos e admite que alguns programas de governo serão prejudicados

Reuters e AP, Washington, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

O senador Barack Obama, candidato democrata à Casa Branca, disse ontem que a crise no sistema financeiro americano e o plano de US$ 700 bilhões proposto pelo governo para resgatar a economia farão com que ele reveja várias promessas de campanha e atrase a implementação de vários projetos, como os gastos para criar um sistema de saúde universal, as verbas para educação e os projetos no setor energético. "Não sabemos quanto sobrará desses US$ 700 bilhões, por isso teremos de analisar novamente a arrecadação tributária do país antes de estruturar nosso orçamento", disse Obama em entrevista à rede de TV NBC. "Isso significa que eu não poderei fazer tudo aquilo que estou prometendo na campanha. Pelo menos não imediatamente."O projeto mais prejudicado, segundo fontes da campanha democrata, será o programa nacional de saúde pública, para o qual a campanha de Obama havia originalmente reservado cerca de US$ 65 bilhões. Semana passada, no auge da crise, Obama já havia reconhecido que seus assessores não tinham dados macroeconômicos suficientes para que ele elaborasse um plano detalhado para sanear a economia americana.A atitude comedida foi atacada pelo candidato republicano, John McCain, que acusou o democrata de não se posicionar diante da crise. McCain, no entanto, também não apresentou nenhum plano econômico objetivo e até agora se limitou a pedir a cabeça do presidente da Comissão de Valores Imobiliários dos EUA, Christopher Cox, o que lhe rendeu críticas até entre os aliados republicanos.O pacote proposto pelo presidente dos EUA, George W. Bush, pede ao Congresso quase o mesmo valor gasto pelos EUA nas guerras do Iraque e do Afeganistão desde 2001 - US$ 800 bilhões. Juntos, o resgate financeiro e as duas guerras aumentariam em US$ 1,5 trilhão a dívida pública americana, que chegaria a US$ 11,3 trilhões.Tanto Obama quanto McCain colocaram restrições ao plano, pedindo uma maior fiscalização do dinheiro liberado. O voto de ambos os senadores para a aprovação da verba, no entanto, ainda é uma incógnita. Apesar das ressalvas, nenhum dos candidatos quer ficar marcado pelo fato de ter impedido a ação do governo contra a crise. Ao mesmo tempo, o apoio ao projeto é extremamente impopular e ambas as campanhas não descartam a possibilidade de os candidatos se ausentarem no dia da votação no Senado.CONTRA A CRISEObama: Quer controlar a influência dos lobistas, fortalecer as agências reguladoras e tornar o governo mais transparente McCain: Propôs a criação de comissão para supervisionar o pacote de ajuda a Wall Street

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