Crise italiana se agrava com mais 4 renúncias

Enfraquecido por escândalo sexual, Berlusconi perde integrantes de gabinete em demissões simultâneas e deve pedir novo voto de confiança

AFP e AP, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

ROMA

Quatro membros do governo do premiê italiano, Silvio Berlusconi, apresentaram ontem sua renúncia "irrevogável" - num dos sinais mais claros até agora da iminente queda de um governo marcado por escândalos sexuais e baixa popularidade.

Os demissionários são o ministro da Política Europeia, Andrea Ronchi, o vice-ministro de Desenvolvimento, Adolfo Urso e os secretários da Agricultura Antonio Buonfiglio, e do Meio Ambiente, Roberto Menia.

Com a saída dos quatro, Berlusconi deve promover uma ampla reforma ministerial, na esperança de dar uma sobrevida ao seu governo. A crise é ainda mais grave porque o premiê também perdeu o respaldo de um de seus principais aliados, Gianfranco Fini, presidente da Câmara dos Deputados e líder do Partido Futuro e Liberdade para a Itália (FLI), que faz parte da coalizão governista.

Escândalos. O fim do governo Berlusconi só se dará, entretanto, se o Parlamento retirar seu voto de confiança, como mandam as regras do regime parlamentarista. Berlusconi tem se negado a apresentar sua renúncia, apesar dos diversos escândalos protagonizados por ele nos últimos meses. No caso mais grave, o premiê italiano é acusado de pagar para manter relações sexuais com uma marroquina menor de idade.

A prova de fogo para o premiê serão as duas moções que tramitam no Parlamento italiano. A primeira é uma moção em favor do premiê e está sendo analisada pelo Senado, onde Berlusconi tem o apoio da maioria. A segunda é contra ele e já tramita na Câmara, onde a maioria pertence à oposição.

O FLI tem sido o fiel da balança para o governo do premiê e, apesar do rompimento, prometeu não bloquear a aprovação do Orçamento para 2011, que será votado no Parlamento em dezembro.

Se Berlusconi cair, o presidente Giorgio Napolitano pode dar início às consultas para saber se as forças políticas dariam respaldo a um novo governo. Mas se ele não tiver apoio, deverá convocar novas eleições num prazo de até 70 dias.

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