Crise na Arábia Saudita ameaça petróleo, diz especialista

O Brasil deve alcançar a auto-suficiência na produção de petróleo em 2006, mas em 2012 pode voltar a depender de importações do produto em razão da crise política que pode agravar-se na Arábia Saudita, contaminando os outros três maiores produtores da região o Irã, o Iraque e o Kuwait. A avaliação foi feita por Jean Paul Prates, um brasileiro especialista em questões petrolíferas, em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News. "Se não nos preparamos até lá (2012), a volatilidade nos preços no mercado internacional vai afetar o bom desempenho do comércio exterior", disse o analista. E advertiu que um eventual ataque terrorista às instalações petrolíferas da Arábia Saudita trará conseqüências funestas ao mundo inteiro e, por conseqüência, também ao Brasil. Acrescentou que tais instalações normalmente possuem complexos e completos sistemas de segurança, mas nenhuma está inteiramente a salvo, a exemplo do que ocorreu com o World Trade Center de Nova York, em setembro de 2001. "A criatividade terrorista é muito maior do que a criatividade dos sistemas de segurança, que correm atrás da criatividade dos terroristas."A preocupação maiorPara Prates, contudo, a preocupação maior não é com um ataque que corte o suprimento do petróleo, mas sim com a questão política saudita, que ameaça a permanência da oligarquia real que governa o país. Segundo disse, a crise saudita vem num crescendo e já ameaça a histórica aliança entre Ryad e Washington. "Há um sentimento de antiamericanismo muito forte (na região), que recrudesceu após a intervenção anglo-americana no Iraque. Além disso, há a situação interna (na Arábia Saudita), de distribuição de renda, de problemas sociais.(...) Existem problemas acumulados, ressentimentos acumulados. O problema Bin Laden é um terrorista internacional, mas a nacionalidade dele é saudita. E em todas as declarações que faz, ele coloca como seu principal objetivo político a tomada do poder na Arábia Saudita." Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait detêm 53% das reservas mundiais de petróleo e respondem hoje por 1/3 do abastecimento do produto.

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