Crise na Espanha deve ser resolvida passo-a-passo

A crise do sistema bancário da Espanha pode ser resolvida passo-a-passo e não deve ser comparada com as dificuldades econômicas mais fundamentais enfrentadas pela Grécia, disse o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäble, em entrevista publicada na edição deste sábado do jornal Passauer Neue Presse.

GABRIELA MELLO, Agência Estado

09 de junho de 2012 | 14h39

Schäble afirmou à publicação que os mercados financeiros novamente estão voláteis por causa da incerteza criada pelas eleições inconclusivas na Grécia em maio e da falta de qualquer movimento em direção à implementação de condições exigidas para recebimento do segundo pacote de resgate por Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE).

"As difíceis reformas foram colocadas em espera e, portanto, isso imediatamente dá origem a um novo risco de contágio nos mercados financeiros", observou o ministro alemão. "A Espanha, por outro lado, tem um problema bem específico com os bancos, que estão em uma situação difícil como resultado do colapso do boom imobiliário no país. Mas isso pode ser resolvido passo-a-passo."

Hoje, os ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo) participaram de uma teleconferência, preparando o terreno para conceder à Espanha até 100 bilhões de euros em empréstimos da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) e do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) para recapitalização de seus bancos.

Separadamente, Carsten Schneider, especialista em finanças para a oposição Social Democratas, alertou: "A ajuda para os bancos espanhóis não deve abrir precedente porque, caso contrário, o EFSF e o ESM seriam transformados de fundo de resgate para os Estados em fundo de resgate para bancos. O governo irlandês, então, faria novas demandas e os bancos no Chipre também têm problemas de refinanciamento." Ele defende que a Europa só deve fornecer ajuda para os bancos espanhóis em troca de reestruturação mais rígida do setor financeiro. "Os bancos devem ser tornados menores ou fechados; a ajuda do Estado deve só deve ser dada em troca de um real investimento que garanta uma voz a influência" sobre os bancos. As informações são da Dow Jones.

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