Crise na Irlanda no Norte ameaça governo britânico

O chefe do governo de coalizão da Irlanda do Norte, David Trimble, afirmou nesta terça-feira que o Partido Unionista do Ulster abandonará a aliança caso o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, não proponha a expulsão do Sinn Fein da administração da província. O líder unionista apresentou a decisão em Downing Street (sede do governo britânico), onde se reuniu com Blair para pressioná-lo a afastar os católicos do governo de Belfast.Trimble deu um prazo para que Blair tome uma decisão oficial. "Estamos dando a eles uma semana, e penso que estamos sendo muito generosos", disse Trimble depois das conversações com Blair. Uma retirada do partido de Trimble poderia levar ao fim de sua coalizão com outros dois partidos católicos, incluindo o Sinn Fein, que é considerado o braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA).Blair, que se reunirá nesta quarta-feira com o presidente do Sinn Fein, Jerry Adams, tenta acalmar os ânimos. O premier assegurou que o acordo de paz da sexta-feira Santa - assinado em 10 de abril de 1998 -, pode funcionar apenas se todos aceitem seus "plenos princípios", incluindo o fim da violência.Blair pode evitar o colapso da coalizão e ganhar tempo para novos acordos retirando o poder dos políticos locais - como fez em 2000 e 2001 em crises prévias. Segundo o acordo de 1998, um partido pode ser expulso da coalizão caso não obedeça o princípio de agir "exclusivamente de forma pacífica e democrática".A decisão de defender o afastamento do Sinn Fein do poder foi tomada pelos unionistas depois que a polícia vasculhou vários escritórios do partido republicano. Entre muitos documentos encontrados durante a operação, alguns teriam revelado detalhes de possíveis alvos do IRA, além de notas confidenciais do governo britânico sobre as discussões com todos os políticos rivais do Sinn Fein.

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