AFP PHOTO / DIANA ULLOA
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Crise na Nicarágua respinga em campanha brasileira

Os principais partidos da esquerda brasileira ainda não se posicionaram oficialmente em relação à crise entre o governo de Daniel Ortega e manifestantes.

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2018 | 21h45

Envolvidos em negociações que vão definir o quadro das eleições deste ano, os principais partidos da esquerda brasileira ainda não se posicionaram oficialmente em relação à crise entre o governo da Nicarágua e manifestantes que pedem desde abril a renúncia de Daniel Ortega. Dos principais partidos, só o PC do B se posicionou. 

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Indagada pelo Estado sobre o tema nesta quinta-feira, 19, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, preferiu se calar. “O PT vai soltar uma nota sobre a Nicarágua”, disse ela. A última manifestação oficial do PT sobre o assunto foi no início da crise, em 24 de abril, quando o partido adotou uma posição moderada, defendendo uma saída pacífica. 

Durante o encontro do Foro de São Paulo, nesta semana em Havana (Cuba), a secretária de Relações Internacionais do PT, Monica Valente, saiu em defesa de Ortega, segundo representantes de outros partidos brasileiros que integraram o evento. Os partidos e movimentos da América Central e Caribe que integram o Foro de São Paulo aprovaram uma resolução de apoio à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) a ao seu “líder histórico”, Ortega.

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Em sua página, o PT reproduziu um texto da CUT segundo o qual os integrantes do Foro rechaçam “de forma enérgica a política intervencionista dos EUA nos assuntos internos da Nicarágua Sandinista”. A presidente cassada Dilma Rousseff também foi ao encontro.

Monica ocupa o cargo máximo do Foro, a secretaria executiva, é uma das principais lideranças da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), maior força interna do PT, e deve integrar a coordenação da campanha petista à Presidência da República, mas existem posições divergentes no partido. Alguns líderes temem que um posicionamento em defesa de Ortega traga prejuízos eleitorais. Outros simplesmente condenam a repressão. 

Ao Estado, a presidente do PC do B, Luciana Santos, saiu em defesa do governo. “Vemos uma tentativa de setores inconformados com a vitória do Ortega de desestabilizar o governo popular e nacional. É um vale tudo como aconteceu no Brasil e em vários países da América Latina”, disse Luciana. 

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O PSOL deve divulgar nos próximos dias uma posição oficial sobre o conflito na Nicarágua. O secretário de Relações Institucionais, Israel Dutra, já se manifestou contra a repressão violenta às manifestações. Segundo a direção do PSOL, se trata de uma posição pessoal do dirigente. Integrantes da cúpula do partido dizem que as declarações de Dutra causaram mal estar na direção da legenda. 

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