Crise na Ucrânia não está resolvida, diz Barroso

A Comissão Europeia não descarta a possibilidade de modificar seu pacto comercial e político com a Ucrânia a pedido de Kiev, disse a principal autoridade da UE nesta quinta-feira. O acordo ucraniano tem estado na base da política europeia para o país nos últimos anos, e oficiais do bloco afirmam que o tratado é o mais ambicioso já assinado, oferecendo a Kiev um caminho aberto para a Europa.

Estadão Conteúdo

25 de setembro de 2014 | 20h58

A UE e a Ucrânia finalizaram o acordo em junho, e o governo ucraniano e parlamentares europeus ratificaram o texto na semana passada. Diversos membros do bloco europeu também assinaram o tratado.

Sobre a crise entre rebeldes pró-Rússia e o governo de Kiev no leste da Ucrânia, Barroso afirmou que houve progresso na resolução do conflito, mas que o problema ainda não está resolvido. Ele se disse "levemente otimista" de que as tensões serão amenizadas.

No dia 12 de setembro, a União Europeia concordou em dar à Ucrânia mais tempo para implementar partes do pacto comercial para amenizar as preocupações russas sobre seu impacto. O diretor de Comércio do bloco, Karel De Gucht, no entanto, descartou qualquer possibilidade de modificar o texto do acordo. Várias autoridades europeias garantiram que não negociariam mudanças no tratado.

Em entrevista ao The Wall Street Journal, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que o poder executivo da UE certamente não proporia nenhum modificação e não poderia "antecipar" o resultado das negociações com Kiev e Moscou sobre o acordo. Ele negou repetidamente, porém, que não estaria disposto a analisar mudanças no texto.

"Eu acho que é do interesse de todos agora que trabalhemos construtivamente sobre essas questões", ele disse. "Falando francamente, eu não acredito que haja uma razão para que o pacto de livre comércio receba todas essas, vamos dizer, posições dramáticas vindo" de um lado ou de outro.

"Nós estamos abertos e somos construtivos e pragmáticos", ele afirmou, acrescentado que a UE está disposta a discutir questões sobre a implementação e o impacto do acordo. "Se os ucranianos - ouvindo às preocupações russas - quiserem discutir algumas questões conosco, com certeza nós estamos preparados para ouvir."

Barroso está no centro das relações cada vez mais tensas com a Rússia nos últimos meses, conversando diversas vezes com o presidente russo, Vladimir Putin. Moscou se opôs veementemente ao pacto entre a Ucrânia e a UE, argumentando que o acordo poderia inundar o mercado do país com produtos europeus e reduzir suas exportações para a Ucrânia. Fonte: Dow Jones Newswires.

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