Dominique Faget/ AFP
Dominique Faget/ AFP

Crise na Ucrânia se agrava com mortes no leste e protesto em Kiev

Manifestantes tentam invadir sede da presidência em Kiev; nas últimas semanas, segundo a ONU, mais de 200 pessoas morreram

O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2015 | 17h32


KIEV - A crise na Ucrânia se agravou ontem a com uma tentativa de invasão da sede da presidência em Kiev. Manifestantes contrários a rebeldes pró-Rússia que tentam tornar o leste do país independente entraram em confronto com policiais. Em Donetsk, ao menos 13 pessoas morreram em combates. Segundo a ONU, o número de mortes no país nas últimas três semanas já chega a 224.

De acordo com a agência Interfax Ucrânia, os manifestantes do grupo Irmandade Ucraniana dos Batalhões exigiam que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, declarasse lei marcial no país em razão da intensificação do conflito no leste do país com os rebeldes. O Ministério do Interior da Ucrânia informou que a manifestação estava autorizada, mas os participantes tentaram entrar no edifício para entregar seu pedido e foram impedidos por policiais na entrada do local.

Nas imagens divulgadas pela imprensa, é possível ver ativistas ateando fogo em pneus em frente às cercas da sede presidencial. Fontes policiais citadas pela Interfax desmentiram as informações divulgadas pela imprensa russa, de que o prédio teria sido atacado. “Não houve nenhum ataque, não há detidos nem ninguém ficou ferido”, disse a fonte.

Confrontos. No leste da Ucrânia, pelo menos 8 civis morreram e 13 ficaram feridos ontem em Donetsk, atingidos pelo fogo de artilharia do exército ucraniano, informaram os rebeldes pró-Rússia. Como consequência do bombardeio, quinze edifícios, entre eles três instituições de ensino, ficaram danificados.

“Duas posições de onde os militares disparavam contra os bairros situados no oeste de Donetsk foram destruídas ontem à noite por nossa artilharia”, disse um porta-voz das milícias à agência oficial russa RIA Novosti.

O porta-voz do Exército ucraniano, Andrei Lysenko, afirmou, por sua vez, que 5 soldados morreram e 27 ficaram feridos em confrontos com rebeldes. 

O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein, afirmou por meio de nota ontem que 224 civis morreram em menos de três semanas no conflito “Estações de ônibus e transporte público, mercados, escolas e creches, hospitais e áreas residenciais se transformaram em campos de batalha nas regiões de Donetsk e Lugansk, o que viola a lei humanitária internacional”, disse em comunicado.

Desde o início do conflito, em maio do ano passado, já morreram no país 5.358 pessoas e outras 12.235 ficaram feridas. / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Ucrânia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.