EFE
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Crise na Venezuela acende alerta vermelho no governo brasileiro

Na avaliação de Brasília, governo Maduro está chegando perto de romper protocolo do Mercosul que determina 'vigência das instituições democráticas'

Lisandra Paraguassu / Brasília, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2015 | 06h00

BRASÍLIA - O cerco à oposição instaurado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acendeu o alerta vermelho no governo brasileiro. A prisão na quinta-feira, 19, do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e a invasão dos escritórios do Copei, um dos principais partidos da oposição, na segunda-feira fizeram surgir no Brasil o temor de que a Venezuela esteja passando dos limites impostos pelos marcos democráticos do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Na terça-feira, 24, em nota, o Itamaraty subiu o tom ao citar, mesmo que não nominalmente, os dois casos. 

"São motivos de crescente atenção medidas tomadas nos últimos dias, que afetam diretamente partidos políticos e representantes democraticamente eleitos, assim como iniciativas tendentes a abreviar o mandato presidencial", diz o texto, que tenta equilibrar a crítica ao tratar também do suposto plano de um golpe de Estado contra Maduro. A nota cita, ainda, os "contatos diretos" que vem sendo feitos pelo governo brasileiro com a Venezuela.

Na avaliação do governo brasileiro, a Venezuela está chegando perto de romper as regras do protocolo de Ushuaia do Mercosul, cujo primeiro artigo determina que a "plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente Protocolo". O Paraguai foi suspenso do bloco por um ano por menos do que a prisão de opositores e a invasão de partidos políticos sem provas concretas de que uma tentativa de golpe estivesse em curso.

Além de testar os limites da democracia, a Venezuela ainda deixa os vizinhos em uma situação difícil . O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, já criticou abertamente as ações de Maduro. O país faz parte da comissão de chanceleres que intermediou o diálogo entre governo e oposição, em 2014. Um dos cuidados da diplomacia brasileira é de não fazer críticas públicas para não prejudicar sua possibilidade de diálogo com o governo venezuelano. Mas recados foram dados de que o Brasil não terá como defender ações claramente antidemocráticas. 

Em nota, o Itamaraty cobrou a retomada do diálogo. "O Governo brasileiro considera imperiosa a pronta retomada do diálogo político auspiciado pela Unasul por meio da Comissão de Chanceleres, que tem contado com o decidido apoio da Santa Sé, diz o texto. "O Governo brasileiro insta os atores políticos venezuelanos, assim como as forças sociais que os apoiam, a absterem-se de quaisquer atos que possam criar dificuldades a esse almejado diálogo.

O secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, pediu uma reunião da comissão de chanceleres e um encontro deve ocorrer durante a posse de Tabaré Vázquez, em Montevidéu, no fim desta semana. O governo colombiano, que não compareceria, tenta se organizar para participar do encontro. A ideia é fazer uma reunião preparativa para uma visita a Caracas, onde se tentaria reabrir o diálogo entre as forças políticas venezuelanas. Até agora, no entanto, Maduro não convidou a comissão para ir a Caracas.

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