AFP PHOTO / FEDERICO PARRA
AFP PHOTO / FEDERICO PARRA

Crise na Venezuela chega ao concurso de Miss 

Sem dinheiro e com dificuldade para obter tecidos e maquiagem, competição perde glamour

Héctor Pereira CARACAS / EFE, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2016 | 05h00

Com empenho em fazer um grande espetáculo, apesar da crise, será realizado hoje em Caracas o Miss Venezuela 2016. O concurso de beleza, do qual já saíram seis Misses Universo, terá sua edição mais difícil em razão da crise econômica que assola o país, segundo os organizadores.

O acontecimento social tão querido dos venezuelanos terá uma plateia reduzida para cerca de 100 pessoas, ante as 15 mil que a cada ano, e durante décadas, enchiam o evento e passavam sua euforia ao programa mais visto da televisão nacional.

“Queremos fazer um espetáculo digno, como se tivéssemos um dinheiro que não temos”, disse o produtor executivo Erick Simionato, de 30 anos, do canal privado Venevisión, que transmite o concurso. Além de o custo ser alto, os patrocinadores são insuficientes para manter o luxo e o brilho que, segundo Simionato, caracterizam o concurso. “Os espectadores têm de saber que estamos numa situação difícil, mas empenhados em promover o bom espetáculo”, afirmou.

O programa de TV deve durar três horas, dividido em 13 blocos de dez minutos cada, nos quais serão mostrados três desfiles na passarela e apresentados cinco números musicais envolvendo dez artistas. O colombiano Felipe Peláez e o dominicano Eddy Herrera são os dois artistas internacionais que se apresentarão com as atrações locais. Músicas modernas e tradicionais animarão “a noite mais bela do ano”, como diz o hino do concurso.

A organização do Miss Venezuela vem conseguindo nos últimos anos driblar os mais variados problemas. Neste ano, porém, segundo Simionato, a situação econômica se agravou muito, afetando todas as áreas do espetáculo. “Há coisas essenciais como maquiagem, tecidos e adereços para os vestidos das garotas, tudo muito difícil de se conseguir hoje”, queixou-se Simionato. A saída foi os organizadores se empenharem pessoalmente na busca pelos materiais.

Por trás das 24 candidatas, que representam todos os Estados e a capital da Venezuela, há mais de 500 pessoas envolvidas na produção. As candidatas têm entre 18 e 24 anos e foram assessoradas nos últimos três meses pela organização, passando por aulas de representação, passarela e oratória e por treinamento físico. Na segunda-feira, elas estiveram no local do concurso para apresentar uma amostra do que se verá na noite da coroação.

Posaram para fotos e desfilaram com faixas informando o Estado que representam. Procuravam mostrar o que aprenderam na chamada “Chácara Miss Venezuela”, um chalé na zona residencial de Caracas, disfarçando eventuais falhas com beleza e graça naturais.

Apenas sete das candidatas têm as “medidas perfeitas” de miss – 90 cm de busto e quadris e 60 cm de cintura. Mas todas esperam que se cumpra o prometido no hino, segundo o qual qualquer concorrente pode sair vencedora. A coroada deste ano sucederá no trono à loira Mariam Habach, estudante de odontologia de 20 anos do Estado de Lara, oeste da Venezuela.

Os concursos de miss são uma paixão nacional na Venezuela, que acumula vitórias em disputas como Miss Mundo, Miss Beleza Internacional e, claro, Miss Universo. O país entrou para o Guinness como único do mundo a emplacar duas Misses Universo em anos consecutivos. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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