EFE/Joédson Alves.
EFE/Joédson Alves.

Crise na Venezuela é ‘produto da corrupção’, diz Ortega a chanceler brasileiro

Em conversa com Aloysio Nunes, ex-procuradora venezuelana relatou que no país caribenho ‘não existe estado democrático de direito’

Leonencio Nossa / Brasília, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2017 | 15h00

A ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, relatou nesta quarta-feira, 23, ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, violações de direitos humanos, casos de corrupção e perseguições a procuradores e juízes por parte do governo de Nicolás Maduro. "Quero denunciar que na Venezuela não existe estado democrático de direito", disse ela.

Ao lado do chanceler em entrevista no Itamaraty, a dissidente disse que o valor das obras paralisadas e com suspeita de corrupção no país chega à ordem de US$ 300 bilhões. Ortega Díaz associa casos de desvio de dinheiro ao agravamento da crise alimentar e nas áreas de saúde e segurança por qual passa o país. "Isso é um produto da corrupção. Casos como o da Odebrecht mostram que o dinheiro que deveria ir para a população é desviado."

A ex-procuradora disse que há 37 pessoas presas na Venezuela em decorrência de críticas ao governo de Maduro e, apesar de já terem a liberdade concedida pela Justiça, seguem mantidas na cadeia pela polícia.

Em conversa com o Estado, Aloysio Nunes disse ter ficado impressionado com o relato feito pela ex-procuradora. "É o avanço rápido de um regime e de uma escalada autoritária que não param", afirmou. "O relato da procuradora mostra que a estrutura, especialmente do Judiciário, aos poucos foi suprimida e há violações e desrespeitos a expressões democráticas."

O ministro destacou que um dos pontos que mais o preocupou foi a situação do Judiciário na Venezuela, uma das áreas mais sensíveis. "Está totalmente submisso ao governo. Há uma clara falta de autonomia do Poder Judiciário."

Aloysio Nunes explicou ainda que toda a colaboração de Ortega Díaz nas investigações que envolvem empresas brasileiras, incluindo a empreiteira Odebrecht, será feita via Ministério Público. Ele ressaltou que a ex-procuradora sabe que o governo brasileiro está à sua disposição e, segundo fontes oficiais, ofereceu asilo político a ela. / com EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.