AFP PHOTO / GEORGE CASTELLANOS
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Crise na Venezuela obrigou 3,7 milhões a deixarem o país, diz ONU

Ao menos 11,6% da população venezuelana deixou o país, e a maioria precisa de proteção internacional, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 10h45

A grave crise na Venezuela já obrigou 3,7 milhões de venezuelanos a deixarem o país, o que representa 11,6% da população, e a maioria deles precisa de proteção internacional para refugiados, informou nesta terça-feira, 21, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). A agência pediu que outros países não os deportem.

Em uma nota de orientação, o ACNUR reiterou seu apelo aos Estados para que permitam o acesso dos venezuelanos a seu território e forneçam proteção adequada e padrões de tratamento, destacando a “necessidade crítica de segurança das pessoas forçadas a fugir por suas vidas e liberdades”.

"Todos os dias, vemos uma média entre 3 mil e 5 mil pessoas saindo da Venezuela", disse Liz Throssel, porta-voz do (Acnur), durante uma coletiva de imprensa em Genebra. Segundo a agência para refugiados, um total de 3,7 milhões de venezuelanos está registrado no exterior, 700 mil deles emigraram antes de 2015. No final do ano passado, cerca de 460.000 venezuelanos solicitaram asilo e a maioria deles o fez em países vizinhos da América Latina, segundo a ONU.

No entanto, 1,4 milhão de pessoas receberam autorização de residência ou vistos, de caráter humanitário ou para trabalhar, para se estabelecer legalmente nesses mesmos países latino-americanos. "Levando em conta a deterioração da situação política, econômica, humanitária e de direitos humanos na Venezuela, o ACNUR considera que a maioria dos que fugiram do país precisa de um sistema internacional de proteção aos refugiados", explicou Throssel.

"Isso se deve às ameaças que pesam sobre sua vida, segurança ou liberdade por causa das circunstâncias que afetam seriamente a ordem pública na Venezuela", acrescentou. "O Acnur também pede aos estados que garantam que os venezuelanos, independente de seu status legal, não sejam expulsos ou devolvidos à força para a Venezuela", disse Throssel.

O ACNUR também apresentou um documento que deve ajudar as administrações e autoridades que lidam com pedidos de proteção internacional apresentados por refugiados venezuelanos. A emigração maciça de venezuelanos fugindo da situação econômica muito crítica de seu país é um dos mais importantes deslocamentos de pessoas na história recente da América Latina.

Na Venezuela, a crise econômica faz com que cerca de 90% das pessoas vivam na pobreza. A inflação atingirá 10.000.000% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com o salário mínimo em torno de US$ 5 (R$ 20), a maioria das pessoas tem dificuldades de pagar por uma dúzia de ovos ou um simples saco de arroz.

A crise política também não parece ter fim, desde que o  o líder opositor Juan Guaidó se declarou presidente interino do país, em janeiro. Integrantes da oposição e do chavismo se reuniram com a chancelaria da Noruega, em Oslo, para tentar chegar a um acordo que ponha fim à crise política na Venezuela, após o frustrado levante liderado pelo presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, e a decorrente onda de repressão do governo de Nicolás Maduro./ AFP, REUTERS E AP

 

 

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