Crise no Iêmen se agrava e ditador perde apoio no governo e no Exército

Generais abandonam Saleh, mas ele mantém apoio da cúpula; cresce deserção entre diplomatas

21 de março de 2011 | 11h45

Soldado é carregado pela multidão após desertar. Foto: Efe

SANAA - O ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, perdeu apoios importantes nesta segunda-feira, 21, dentro do governo. O número dois das Forças Armadas, brigadeiro Mohamed Ali Mohsen, anunciou em um vídeo publicado na rede de TV Al-Jazira que aderiu à revolução popular. Trinta deputados do partido de Saleh abandonaram o governo, ainda de acordo com o canal. Mais tarde nesta segunda, cinco embaixadores iemenitas na Europa e os do Egito e da Liga Árabe também anunciaram apoio aos revolucionários.

 

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Segundo a agência oficial Saba, Saleh respondeu às deserções dizendo que 'a maioria do povo está com ele'. "Estamos resistindo. A grande maioria do povo iemenita está a favor da segurança, estabilidade e da legalidade constitucional", afirmou. "Aqueles que recorrem ao caos, à violência, ao ódio e à sabotagem são minoria".

 

Além de Mohsen, mais dois brigadeiros- Mohammed Ali  al-Ahmar, comandante do leste, e Hamid al-Qosheibi, da região de Amran, se juntaram aos revoltosos. "Anunciamos nosso apoio pacífico à revolução dos jovens e executaremos nosso dever de garantir a segurança e a estabilidade da capital", disse Mohsen. "O Iêmen enfrenta uma grave crise, resultado de práticas ilegais e inconstitucionais".

 

O ministro da Defesa iemenita, no entanto, permanece leal a Saleh. "As forças armadas permanecerão fiéis ao juramento que fizeram ante Deus, a nação e à liderança política do presidente Ali Abdullah Saleh", disse . "Não permitiremos de maneira alguma uma tentativa de golpe contra nossa democracia e a Constituição".

 

Tanques do Exército estão a caminho da capital Sanaa, para proteger os opositores, que há mais de um mês protestam pela renúncia de Saleh. Na última sexta-feira, ao menos 51 pessoas morreram na repressão às manifestações após Saleh decretar estado de emergência no país. No domingo, o presidente demitiu o gabinete, para tentar amenizar os protestos.

 

Saleh governa o Iêmen desde 1979, quando o país ainda era dividido entre norte e sul. Após a unificação, ele se manteve no poder. Superou uma guerra civil e é um dos principais aliados dos EUA na luta contra o terrorismo. Uma das franquias da rede terrorista Al-Qaeda atua no país.

 

Confira quem abandonou o governo Saleh, até esta segunda-feira à tarde:

 

Oficiais do Exército:

Brigadeiro Ali Mohsen Saleh, comandante da zona militar do nordeste North Western Military Zone

Brigadeiro Hameed Al koshebi, comandante da brigad 310 na área de Omra

Brigadeiro Mohammed Ali Mohsen, comandante da Divisão do Leste

Brigadeiro Nasser Eljahori, comandante of brigade 121

General Ali Abdullaha Aliewa, assessor do líder supremo do Exército iemenita

General Faisal Rajab, da provínci de Lahij, no Sul

 

Diplomatas:

Abdel-Wahhab Tawaf, Embaixador na Síria

Mohammed Ali al-Ahwal, Embaixador na Arábia Saudita

Embaixador na Jordânia

Embaixador no Egito

Embaixador no Kuwait

Embaixador na China

Embaixador na Argélia

Embaixador na Indonésia

Embaixador no Iraque

Embaixador no Catar

Embaixador na Bélgica

Embaixador no Paquistão

Embaixador na República Tcheca

Embaixador na Espanha

Embaixador na Alemanha

Embaixador no Omã

Embaixador na ONU

Encarregado de negócios na Tunísia

Representante na Liga Árabe

Toda a equipe da embaixada iemenita em Washington, menos o embaixador

 

Oficiais locais:

Ahmed Qaatabi, Governador do província de Aden, no sul do Iêmen

Himyar al-Ahmar, deputado

Prefeito de Aden

 

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