Crise no Oriente Médio desmoraliza a ONU

A ONU, mais uma vez, aprovou uma série de resoluções condenando Israel por seu comportamento diante do povo palestino. Hoje, em Genebra, a Comissão de Direitos Humanos da ONU condenou, entre outras coisas, a ampliação das colônias israelenses em territórios ocupados e a invasão das colinas de Golã por parte de Israel. Apesar disso, as iniciativas da ONU - que já chegam a oito desde que os conflitos se intensificaram -, correm o risco de não passarem de letra morta diante da fragilidade da organização na crise do Oriente Médio.Em todas as ocasiões, as resoluções das Nações Unidas foram ignoradas por Israel e pouco foi feito pelos Estados Unidos para que as condenações fossem respeitadas. A posição da ONU é tão fraca que até mesmo os discursos do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, são mudados no último minuto para não se chocarem com outros interesses, em especial os norte-americanos.Hoje, no discurso que Annan pronunciaria na ONU em Genebra, o secretário-geral declararia, em referência indireta à Israel, que "as ações militares não podem ser consideradas como de autodefesa quando usadas para ocupar um território estrangeiro". A cópia do discurso chegou a ser distribuída para a imprensa e para os países, mas no último momento, a frase foi suprimida do texto final.A ONU ainda tem sérias dificuldades até mesmo em fazer com que alimentos cheguem aos palestinos. Israel também vem ignorando o pedido das Nações Unidas para que o governo de Ariel Sharon autorize uma missão nos territórios ocupados. Diante da falta de poder e cansado de não ser ouvidos, Kofi Annan parece decidido a seguir os passos dos Estados Unidos. "Vamos atuar em parceria com Washington", disse Annan.Um exemplo dessa "parceria" é a sincronia da proposta de hoje da ONU de enviar uma força internacional ao Oriente Médio, com a visita do secretário de estado norte-americano, Colin Powell, à região.

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