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Crise nos Andes não afeta economia local, dizem especialistas

As economias de Colômbia, Venezuela eEquador não devem ser afetadas pela crise diplomática provocadapela incursão militar colombiana em território equatoriano,segundo especialistas ouvidos na quinta-feira. Por causa da crise, a Venezuela reduziu ao mínimo essencialo comércio que passa por seus 2.219 quilômetros de fronteiracom a Colômbia -- apenas produtos perecíveis estão sendoautorizados a entrar. Mas os economistas lembram que há grande vinculação entreos dois países, e que por isso o confronto não deve seprolongar. "A Colômbia responde por quase um quinto do fornecimento dealimentos para a Venezuela", disseram em nota analistas doRoyal Bank of Scotland. "Com uma inflação anual de 25 porcento, um 'choque de oferta' na Venezuela seria um duro golpepara o presidente [Hugo] Chávez." O comércio entre Colômbia e Equador não foi afetado, e afronteira de 586 quilômetros permanece aberta. Os governos da Venezuela e do Equador exigem que Bogotá sedesculpe pela invasão do território equatoriano e prometa nuncamais usar tropas em países vizinhos para perseguir militantesdas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Mas há muitas razões para acreditar que a disputa não vaise ampliar a partir daí", disseram os analistas do RBS. O último atrito entre Chávez e o presidente conservador daColômbia, Álvaro Uribe, provocado pela prisão de um líder dasFarc por agentes da Colômbia em território venezuelano, duroucerca de um mês, mas ocorreu num momento de grande popularidadede Chávez -- não tão expressiva agora, em parte devido àpressão inflacionária na Venezuela, segundo o RBS. Chávez, que enviou tropas à fronteira e rompeu relações comBogotá, ameaçou na quarta-feira nacionalizar bens de empresascolombianas na Venezuela. Uribe, por sua vez, ameaça levarChávez ao Tribunal Internacional de Haia por supostamentecontribuir financeiramente com a guerrilha das Farc. "Ambos estão fazendo ameaças que provavelmente não podemcumprir", disse Pablo Casas, analista da entidade Segurança eDemocracia, de Bogotá. "Os venezuelanos precisam comprar comidae outros bens que a Colômbia precisa vender. Precisamos demaisuns dos outros para que isso tenha uma escalada a partirdaqui." Mas nem todos os analistas se mostram tão confiantes. "Acrise diplomática vai reduzir mais um ponto percentual [nocrescimento], e a economia colombiana vai crescer 4 por centoem vez de 5 por cento", disse o economista Mauricio Rodríguez,diretor da escola de administração Cesa, de Bogotá. Mas a HSBC Securities mantém sua previsão de crescimento de5,65 por cento na Colômbia, 2,2 por cento no Equador e 7 porcento na Venezuela. Assim como a Venezuela depende das exportações colombianasde alimentos, o Equador depende muito das exportaçõescolombianas de energia, especialmente de eletricidade, segundoMaya Hernández, que acompanha questões latino-americanas para oHSBC em Nova York. "A relação comercial entre Equador e Colômbia é pequena,mas crescente. [O presidente do Equador, Rafael] Correa podereceber um estímulo nacionalista em sua popularidade para estadisputa, mas não deve levar isso longe demais", afirmou.

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