Crise nuclear causada pela Coréia do Norte já dura 20 anos

O acordo inicial assinado nesta terça-feira, 13, pela Coréia do Norte e outras cinco nações prevê que o país desligue o complexo do reator de Yongbyon e permita a visita de inspetores internacionais ao local, dentro de 60 dias. Em troca, Coréia do Sul, Japão, EUA, China e Rússia devem fornecer auxílio energético aos norte-coreanos.O acordo assinado nesta terça-feira é visto como o primeiro avanço rumo ao desarmamento da Coréia do Norte. Desde que iniciou seu programa nuclear, o país comunista é apontado como uma ameaça à segurança internacional e aos países capitalistas. Acompanhe a seguir uma cronologia da crise nuclear:1987A Coréia do Norte conclui a construção do reator nuclear de grafite moderado de Yongbyon, capaz de construir armas nucleares.199225 de maio: Uma delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informa, após uma inspeção, que Pyongyang não pode produzir armas nucleares.1993Janeiro: A Coréia do Norte anuncia que deixará o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, mas acaba revendo sua decisão.199421 de outubro: O governo do então presidente dos EUA, Bill Clinton, assina o Acordo de Bases com a Coréia do Norte em Genebra, após cerca de dois anos de negociações. Os norte-coreanos concordam em congelar e, em seguida, desmantelar seu polêmico programa nuclear. EUA, Coréia do Sul e Japão se comprometem a fornecer dois reatores de água leve ao país.199831 de agosto: A Coréia do Norte afirma ter disparado um foguete com seu primeiro satélite. No mesmo período, relatos dão conta de que um foguete Taepodong I sobrevoou a principal ilha do Japão, Honshu, caindo no mar em seguida.2002Outubro: O enviado do Departamento de Estado dos EUA James Kelly confronta Pyongyang e aponta para um suposto programa secreto norte-coreano de enriquecimento de urânio. Dias depois, a Coréia do Norte afirma que tem direito de possuir armas nucleares.Dezembro: A Coréia do Norte afirma que planeja reativar o reator de Yongbyon, desliga os aparelhos de observação da AIEA no local e expulsa os inspetores da agência.2003 Janeiro: A Coréia do Norte retira-se do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, causando uma repercussão internacional negativa.Agosto: Acontece a primeira rodada de negociações entre as duas Coréias, a China, o Japão, a Rússia e os EUA em Pequim. A Coréia do Norte ameaça testar uma bomba nuclear e dispara um novo míssil.Outubro: A Coréia do Norte afirma ter aumentado sua "dissuasão nuclear" com plutônio reprocessado e diz estar disposta a mostrar o feito ao mundo.2004Janeiro: Pyongyang permite a visita de uma delegação não-oficial dos EUA a Yongbyon.Fevereiro: Abdul Qadeer Khan, o criador da bomba nuclear do Paquistão, admite que transmitiu a tecnologia de urânio para a Líbia, o Irã e a Coréia do Norte. Pyongyang nega. No mesmo mês, tem início a segunda rodada de negociações multilaterais em Pequim.Junho: Começa a terceira rodada de negociações. EUA propõem ajuda em combustível e garantias de segurança, caso Pyongyang encerre seus programas nucleares.2005Fevereiro: A Coréia do Norte afirma oficialmente pela primeira vez que tem armas nucleares, acrescentando que abandonou as negociações multilaterais.Setembro: Os seis países emitem, finalmente, um comunicado conjunto. A Coréia do Norte promete desistir dos programas em troca de ajuda, garantias de segurança e retomada das relações diplomáticas.Novembro: Começa a quinta rodada de negociações em Pequim, que termina sem progresso. Coréia do Norte protesta contra as medidas repressivas dos EUA.2006Julho: A Coréia do Norte dispara sete mísseis em teste na sua costa leste, incluindo o Taepodong II, de longo alcance.Outubro: A Coréia do Norte explode o seu primeiro aparato nuclear, causando reações em todo o mundo.20078 de fevereiro: Recomeçam em Pequim as negociações multilaterais, uma semana depois do encontro entre autoridades dos EUA e da Coréia do Norte, em Berlim, para debater o congelamento das finanças.13 de fevereiro: A Coréia do Norte concorda em fechar o complexo de Yongbyon e permitir a entrada de inspetores internacionais, como parte de um plano inicial de desarmamento.

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