Crise nuclear foi fabricada pelo Ocidente

Países atacam projeto atômico do Irã por orgulho ferido, negócios militares e para ocultar temas mais urgentes

ALI, MOHAGHEGH, ESPECIAL, É ADIDO DE IMPRENSA DA EMBAIXADA DO IRÃ EM BRASÍLIA, ALI, MOHAGHEGH, ESPECIAL, É ADIDO DE IMPRENSA DA EMBAIXADA DO IRÃ EM BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h04

Há anos, algumas potências mundiais procuram criar polêmica sobre o programa nuclear iraniano, repetindo acusações e impedindo que negociações diplomáticas avancem. A reação dessas potências à Declaração de Teerã, resultado de negociações diplomáticas entre a república islâmica, Brasil e Turquia é um pequeno exemplo.

Nos últimos dez anos, o Irã, fez todo o esforço para esclarecer dúvidas. A Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) relatou frequentemente não ter encontrado evidências de desvio da atividade fim ou de materiais nucleares para fins militares. Acusações infundadas deixaram o processo aberto. Qual o objetivo? Três razões:

1. As superpotências não se conformam que seus líderes passem despercebidos. Continuam com a ideia de que qualquer medida, mesmo na área de avanços científicos e tecnológicos, deve ter o seu selo de reconhecimento. Qualquer desafio que afete essa hegemonia será um "pesadelo terrível".

2. Há 65 anos, o tema palestino é o assunto central no Oriente Médio. Algumas potências tentam, dando ênfase ao programa nuclear iraniano, criar uma crise artificial, deixando o assunto palestino à margem.

3. Mostrar o Irã como uma grande ameaça, demonizando o país na região, abre um mercado lucrativo para empresas que produzem armamentos. Acordos bilionários firmados entre os ricos países petroleiros do Oriente Médio e nações ocidentais na última década mostram o que está ocorrendo. Por isso, essas potências não estão interessadas em resolver a questão nuclear iraniana por negociações técnicas.

Há um jogo duplo. Antes da vitória da revolução islâmica, o governo iraniano, então principal aliado dos EUA na região, recebeu sugestão de países ocidentais para iniciar um programa nuclear. A usina de pesquisa nuclear de Teerã é uma mostra. A instalação de Busher foi projetada em acordo com países ocidentais. Com a vitória da revolução e a saída do Irã do campo de aliados do Ocidente, a situação se inverteu.

Ressaltamos que a arma nuclear não tem lugar na doutrina e nos princípios da defesa iraniana. O líder supremo da revolução, aiatolá Khamenei, proibiu publicamente por decreto o desenvolvimento, a acumulação e o uso de armas nucleares.

O Irã jamais aceitará mais do que seus compromissos, conforme o tratado de não proliferação nuclear, e não recuará em seu direito inalienável ao uso pacífico da energia, com o enriquecimento do urânio para fins pacíficos. Não são construtivas políticas de sanções e diálogo, ameaças de ataque militar a instalações nucleares e atentados de Estado contra cientistas nucleares iranianos.

Despolitização e despolarização da AIEA, repassando o assunto do Conselho da Segurança da ONU para a agência, e o dialogo serão os únicos meios de avançar. O Irã é o país mais confiável, estratégico e estável na região, e tem um grande potencial para solucionar os problemas regionais e mundiais.

Convidamos os poucos países que mantiveram animosidade contra o Irã durante décadas a corrigir a sua abordagem. A janela de oportunidade continua aberta.

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