Crise ocorre em bom momento da economia

Paraguai vinha crescendo graças à alta mundial das commodities e comércio sentia benefícios do cenário favorável

ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h07

A crise política se instalou em um Paraguai que começava a sentir os efeitos do bom desempenho da economia, nos últimos anos. Embora sem relação direta, no mesmo dia em que o presidente Fernando Lugo foi destituído pelo Congresso, o Banco Central anunciou que, depois de registrar um crescimento de 4,4% em 2011, o país deve sofrer uma retração de 2,6% no primeiro trimestre de 2012, causada pela seca, a febre aftosa e a piora do cenário internacional.

Mas nas ruas comerciais de Assunção, que ontem pareciam viver um dia comum, não é difícil encontrar quem diga que o país nunca esteve tão bem - economicamente.

"Nosso faturamento vem subindo nos últimos anos por um simples motivo: as pessoas comuns têm mais dinheiro para gastar", afirma Barbara Blanco, proprietária de uma loja de roupas femininas no centro da capital. A comerciante diz que "apoiou muito" o processo que culminou na queda de Lugo, "mas (o presidente) foi muito correto em não fazer um chamado para a resistência e acatar a decisão do nosso Senado".

Apesar da crise política diante do impeachment relâmpago de Lugo, não foram registrados episódios de violência até ontem, à exceção de um confronto diante do Senado que terminou com dois feridos.

Na sexta-feira, enquanto milhares de paraguaios protestavam em apoio a Lugo no centro de Assunção, lojas e bancos mantinham as portas abertas. Apenas nas ruas que haviam sido bloqueadas para o trânsito de veículos - no entorno da Plaza de Armas, onde fica o Congresso, e do Palácio da Presidência - o comércio fechou.

Ontem, todo o tráfego na região já tinha sido liberado e a vida parecia correr normalmente.

"Na sexta-feira, por causa das manifestações, praticamente não vendemos nada", disse Luis Acosta, proprietário de uma ótica. "Hoje (ontem) as coisas parecem estar voltando ao normal e já temos algum movimento. Realmente espero que essa decisão de nossos vizinhos de punir o Paraguai não acabe caindo nos ombros do povo paraguaio."

Na sexta-feira, o Banco Central de Assunção, temendo os efeitos da crise política, decidiu injetar cerca de US$ 40 milhões na economia para garantir liquidez aos bancos. O presidente do BC, Jorge Corvalán, afirma que as reservas internacionais do país são de US$ 5 bilhões - o suficiente, segundo ele, para controlar a volatilidade da moeda.

A principal atividade econômica do Paraguai, porém, é o campo, setor que vinha sendo diretamente beneficiado pelo boom nos preços internacionais de commodities. A piora no desempenho da economia paraguaia foi puxada pelos maus resultados no setor agropecuário, que sofreu uma queda de 28% no último trimestre. Um surto de febre aftosa obrigou a suspensão de vendas para o mercado exterior, incluindo para a China, principal compradora dos paraguaios. / R.S.

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