Crise poderia estimular ilha a abrir economia

A retirada da ajuda venezuelana para o governo de Havana, segundo analistas econômicos e políticos consultados pelo Estado, deverá causar um novo "período especial" - eufemismo com o qual se designou a recessão do início da década de 90, quando o fim da União Soviética cessou 85% da receita externa cubana. Na época, Cuba mergulhou numa profunda crise que piorou muito as condições de vida de seus cerca de 11 milhões de habitantes.

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2011 | 00h00

Na opinião do economista cubano Oscar Espinosa Chepe, "a ausência da ajuda venezuelana levará a situação social de Cuba a um estado de caos". "A centralização do poder que (Hugo) Chávez exerce em seu país faz com que sua doença represente um perigo muito grande para Cuba, que depende muito da Venezuela", disse. Chepe, que trabalhou para o regime dos Castros por quase 20 anos e já foi preso por passar à dissidência, afirmou que, para evitar a dependência de Caracas, o governo de Havana tem procurado investimentos de outros países.

Para o economista venezuelano Ronald Balza, a possível crise causada pela falta da ajuda chavista serviria como estímulo para o governo cubano ampliar as medidas para favorecer o comércio e atrair investidores estrangeiros. Na opinião de Balza, porém, mesmo que a oposição ao chavismo assuma o poder após as eleições presidenciais de 2012 na Venezuela, a ajuda aos cubanos, assim como outras medidas de Caracas, não deverá ser suspensa de maneira imediata. "Se os opositores (de Chávez) mudam tudo, poderão perder o poder já na votação seguinte."

Especialistas têm afirmado que a China - que já mantém investimentos em diversos setores da economia cubana - poderia ser a solução para a manutenção da ajuda externa à ilha. Em junho, durante a visita do vice-presidente chinês Xi Jinping a Cuba, acordos foram firmados principalmente para ajudar o setor petroleiro cubano. Uma linha de crédito a Havana foi anunciada, mas os detalhes não foram divulgados. Para Chepe, porém, "os chineses já têm outra concepção, que não combinam com o socialismo" da ilha. "Raúl (Castro) teria de fazer ainda mais concessões em direção ao capitalismo para atrai-los. O governo chinês é muito cauteloso."

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