Crise política no Paquistão atinge sua pior fase

Neste sábado, presidente Pervez Musharraf decreta estado de emergência e suspende Constituição

REUTERS

03 de novembro de 2007 | 12h52

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, impôs estado de emergência e suspendeu a Constituição neste sábado, 3, em uma medida que adiará as eleições previstas para janeiro. Desde o início do ano, o país enfrenta uma crise que começou com a suspensão do juiz e chefe da Suprema Corte Iftikhar Chaudhry. Desde então, episódios de violência já deixaram milhares de mortos.9 de março de 2007 - Musharraf suspende o juiz da Corte Suprema Iftikhar Chaudhry sob alegações de irregularidades. Advogados protestam ao juiz supremo, e a popularidade de Musharraf cai à medida que a campanha pró-democracia cresce. 10 de julho - Após uma semana de protestos, Musharraf envia tropas para reprimir o movimento do tipo Taleban na Mesquita Vermelha, em Islamabad. Pelo menos 105 pessoas são mortas na operação. Logo após, há uma onda de ataques de militantes e homens-bomba. 20 de julho - A Suprema Corte restitui o chefe de Justiça Chaudhry ao cargo, um golpe à autoridade de Musharraf. 27 de julho - Musharraf se encontra com a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto em Abu Dhabi. Bhuto impõe condições que incluem a saída de Musharraf do comando das Forças Armadas. As negociações ficam emperradas. 10 de setembro - Nawaz Sharif, o primeiro-ministro deposto por Musharraf, há oito anos, e exilado, é preso no aeroporto de Islamabad. A Corte Suprema havia permitido seu retorno, e está recebendo petições de que o governo desobedeceu a decisão da Corte ao colocar Sharif em um vôo para a Arábia Saudita, onde ele permanece. 2 de outubro - Musharraf nomeia sucessor para a chefia das Forcas Armadas, na medida mais concreta desde a primeira promessa de deixar o cargo, feita em dezembro de 2003. O governo anuncia retirar as acusações de corrupção contra Bhutto, abrindo caminho para seu retorno. 19 de outubro - Cerca de 139 pessoas são mortas em um atentado suicida a bomba contra a vida de Bhutto, durante uma passeata por Karachi, em seu retorno do auto-imposto exílio de oito anos. É um dos maiores ataques no Paquistão. 2 de novembro - A Suprema Corte se reúne para ouvir objeções à elegibilidade de Musharraf na reeleição em 6 de outubro, enquanto ainda chefe das Forças Armadas. Seu mandato atual termina em 15 de novembro. Fontes afirmam que cerca de 800 pessoas morreram, mais da metade em ataques suicidas, desde a operação na Mesquista Vermelha 3 de novembro - Musharraf impõe estado de emergência; a Constituição do país é suspensa.

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