Crise política se aprofunda na Grécia

A deputada do Partido Socialista da Grécia (Pasok), Eva Kaili, pediu nesta terça-feira que o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, reconsidere seus planos para convocar um referendo e montar um governo de união nacional, ou ela deixará a sigla, informou a imprensa grega. Ja á deputada Milena Apostolaki, também do Pasok, informou hoje que está deixando o partido e passará a atuar como independente. A revolta entre os deputados da própria base do Pasok ocorreu após o premiê ter dito que pretende convocar um referendo sobre o novo acordo de ajuda financeira da União Europeia à Grécia. Papandreou também defende um voto de confiança para o governo no Parlamento, na sexta-feira. Teoricamente, o Pasok tem 153 das 300 cadeiras.

AE, Agência Estado

01 de novembro de 2011 | 15h14

A decisão inesperada de Papandreou, anunciada na noite da segunda-feira, levou a uma queda nas bolsas de valores da Europa nesta terça-feira, com o aumento dos temores de que o plano europeu para salvar o euro possa se desencaminhar. Papandreou não fixou uma data específica para o referendo, embora ministros tenham dito que ele deverá acontecer no começo do próximo ano.

Esse seria o primeiro referendo a acontecer na Grécia desde 1974, quando a população foi às urnas para decidir se queria a volta da monarquia ou a república após sete anos de ditadura militar. Sob uma lei aprovada apenas no mês passado, um referendo pode ser convocado para decidir questões de grande importância nacional. Muitos, contudo, questionaram hoje o anúncio de Papandreou de convocar um referendo sobre o novo acordo da dívida da Grécia, uma vez que ele não pediu nenhum referendo no ano passado quando a Grécia recebeu o primeiro pacote de socorro.

Uma votação desse tipo permitiria que o Pasok, muito criticado nas greves e movimentos contra as medidas de austeridade, passasse a responsabilidade das medidas para a própria população grega.

As informações são da Associated Press.

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