Crise preocupa empresas brasileiras na Venezuela

A Embaixada do Brasil em Caracas informou que as empresas brasileiras na Venezuela começam a preocupar-se com a situação política, social e econômica do país. A Odebrecht, que está na Venezuela há mais de dez anos, tem hoje uma carteira de contratos de mais de US$ 1 bilhão. A empresa brasileira está construindo a segunda ponte sobre o Rio Orinoco, orçado em US$ 600 milhões. Está ainda construindo a linha quatro do metrô em Caracas no valor de US$ 220 milhões e a ampliação da linha três, contrato de US$ 200 milhões. Outra empresa com interesses na Venezuela é a Petrobras, que, por meio da argentina Pérez Companc, recentemente adquirida, produz 110 mil barris de petróleo por dia no país. O embaixador Rui Nogueira informou que a comunidade empresarial e de trabalhadores brasileiros na Venezuela soma cerca de 1,2 mil pessoas. Com a greve, que está entrando na terceira semana consecutiva nesta segunda-feira, o comércio bilateral certamente será prejudicado. No ano passado, a Venezuela foi um dos mercados que absorveram produtos manufaturados brasileiros que não conseguiram entrar na Argentina por causa da grave crise econômica no principal parceiro do Brasil no Mercosul. De acordo com o embaixador, a Venezuela adquiriu em 2001 grande volume de carros, autopeças, máquinas agrícolas e celulares. Apesar de a Venezuela ser um grande fornecedor de derivados de petróleo para o mercado brasileiro (US$ 900 milhões em 2001), o Brasil ainda é superavitário no intercâmbio comercial entre os dois países. Em 2001, a balança comercial foi favorável ao Brasil em US$ 450 milhões. Colômbia Outro país que deve sentir um forte impacto da greve no comércio bilateral é a Colômbia, que, no ano passado, exportou para a Venezuela US$ 1,75 bilhão. Exportadores colombianos acreditam que o intercâmbio comercial entre os dois países deve cair este ano cerca de 35% com a paralisação e a crise no país. As importações, segundo os colombianos, estão praticamente paradas e já se estimam perdas de US$ 500 milhões. OEA O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos retoma hoje em Washington as reuniões e discussões sobre a crise na Venezuela e deve emitir nas próximas horas um comunicado em apoio à defesa da democracia no país. O embaixador Rui Nogueira disse à Agência Estado que o Brasil, por meio de seu embaixador na OEA, dará total e irrestrito apoio à continuidade da intermediação nas negociações entre a oposição e o governo venezuelano que vêm sendo conduzidas pelo secretário-geral da OEA, César Gaviria. De acordo com o embaixador, o ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, telefonou para Gaviria na quinta-feira da semana passada para se informar sobre a situação política no país e transmitir a solidariedade do Brasil aos trabalhos de Gaviria, que vem tentando uma solução para a crise venezuelana. O presidente Fernando Henrique Cardoso também fez dois contatos com o presidente Hugo Chávez, O primeiro no domingo da semana passada e outro na quarta-feira. "O Brasil está acompanhando com interesse e preocupação a situação na Venezuela", disse. O embaixador informou ainda que o presidente Chávez participará da posse do presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva, no dia 1º de janeiro, em Brasília. Chávez viaja na manhã desse dia e volta imediatamente depois da cerimônia da posse.

Agencia Estado,

16 Dezembro 2002 | 09h32

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