Crise provoca reforma em gabinete espanhol

Segundo jornal, Zapatero mudará dois ministérios

Lourival Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

Depois de fechar 1,3 milhão de postos de trabalho nos últimos 12 meses, a crise econômica na Espanha pode fazer novos desempregados nas próximas horas. De acordo com a imprensa espanhola, o primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero já tem os substitutos para os ministros da Fazenda e do Fomento (que abrange os Transportes), duas pastas-chave para a reativação da economia, que sofre a sua pior crise em uma década e meia. Zapatero estaria esperando voltar hoje da Turquia, onde participou ontem da abertura do Fórum da Aliança das Civilizações, para anunciar as mudanças no gabinete, formado há apenas um ano, quando o primeiro-ministro se reelegeu.Segundo os jornais espanhóis, o ministro da Fazenda, Pedro Solbes, deve ser substituído por Elena Salgado, atual ministra de Administrações Públicas. Já a ministra do Fomento, Magdalena Álvarez, deve dar lugar a José Blanco, vice-secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Ele deve continuar acumulando o cargo de dirigente do partido governista. Com as mudanças, Zapatero tentará evitar uma nova derrota para o Partido Popular nas eleições para o Parlamento Europeu, em junho.O PP venceu o PSOE por 47% a 30% nas eleições regionais na Galícia, em 1º de março. O partido oposicionista ultrapassou o PSOE pela primeira vez desde as eleições gerais de março do ano passado, em pesquisa de opinião nacional divulgada no domingo pelo jornal Público, ainda que por uma margem ínfima: 40,7% a 39,2%. O PSOE obteve 43,65% dos votos há um ano, contra 40,12% para o PP.Na época, a economia espanhola já sofria uma desaceleração de oito meses, mas desde então a crise aumentou e, com ela, a impopularidade de Zapatero.Como nos Estados Unidos, a crise espanhola teve origem no estouro de uma bolha no setor imobiliário, formada pela combinação de juros baixos, prazos longos para pagar as hipotecas e alavancagem dos bancos, que comercializavam as dívidas com outras instituições financeiras. Essa bolha, por sua vez, impulsionou um boom econômico iniciado em 2004, o ano da primeira eleição de Zapatero. No seu primeiro mandato, o crescimento médio da economia foi de generosos 4%. Este ano, o Banco da Espanha (banco central) prevê queda de 3% no PIB.A prosperidade vivida nesse período apagou a imagem negativa do governo do PSOE liderado por Felipe González (1982 a 1996), que nos anos 90 enfrentou picos de desemprego de mais de 20%. De um ano para cá, o desemprego saltou de 8,6% para 15,5%, ou 3,6 milhões de pessoas. A previsão é que suba este ano para 17,1%.

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