Crise reduz natalidade

Para demógrafos, incertezas em relação à economia têm levado americanos a ter menos filhos ou tê-los mais tarde

Rita Rubin, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

USA TODAY

Tanto o número de nascimentos quando a taxa de natalidade dos Estados Unidos apresentaram declínio em 2008, de acordo com dados preliminares divulgados na terça feira - uma mudança que os demógrafos atribuem parcialmente às incertezas em relação à economia.

O declínio foi verificado praticamente em todos os grupos etários, desde as adolescentes de 15 anos ou mais até mulheres com idades entre 30 e 40 anos, segundo pesquisadores do Centro Nacional de Estatísticas da Saúde, que faz parte do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças. A taxa de natalidade apresentou aumento somente entre as mães com idade superior aos 40 anos.

Estima-se que tenham ocorrido no país 4.251.095 nascimentos em 2008, uma redução de quase 2% em relação aos 4.317.119 nascimentos de 2007 - o maior número já registrado nos EUA. O número de nascimentos para cada mil pessoas também apresentou queda de 2% entre 2007 e 2008, recuando de 14,3 para 14.

Dados provisórios relativos ao primeiro semestre de 2009 mostram um declínio adicional no número de nascimentos registrado nos Estados Unidos, disse o demógrafo Brady Hamilton, principal autor do novo estudo. Hamilton especula que as mulheres estejam optando por esperar mais antes de ter filhos por se sentirem menos seguras em seus empregos.

"Acho que ninguém duvida que o problema está na economia", disse Carl Haub, do Escritório de Referência Populacional, um centro de estudos de Washington, sobre o declínio observado em 2008.

Tendência. Uma queda de 2% "não pode ser considerada imensa", a não ser para aqueles envolvidos na fabricação de artigos para bebês, disse Haub. Ele também afirmou que esta tendência corresponde àquilo que tem ocorrido em muitos dos países mais ricos da Europa.

"Nos anos 70, quando foi registrada a última queda aguda na natalidade, vivíamos num contexto de inflação descontrolada no qual se tornava cada vez mais necessária uma segunda renda estável para sustentar uma família", afirmou Haub. Ele disse que, em 1976, a taxa de fertilidade total dos Estados Unidos - a estimativa média do número de filhos que cada mulher teria durante a vida, com base na taxa de natalidade atual - chegou a 1,7 (a mais baixa já registrada); no presente momento, este número é aproximadamente 2,1.

Deterioração da economia. Uma análise das informações definitivas sobre os nascimentos em 2008 divulgadas por 25 Estados, publicada na terça-feira pelo Centro de Pesquisas Pew, revelou que nos 22 Estados nos quais foi registrada uma estabilização ou um declínio na taxa de fertilidade, "a deterioração nas condições econômicas teve início nos dois anos anteriores, quando muitos pais em potencial estavam decidindo se teriam filhos ou não".

Entre os detalhes do estudo preliminar do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças sobre os nascimentos em 2008, destacam-se os seguintes dados: a taxa de natalidade entre adolescentes americanas registrou queda de 2%, depois de aumentar em 2006 e 2007. O declínio no número de gestações durante a adolescência foi visto como uma história de sucesso para a saúde pública, mas, quando esta taxa começou a aumentar, alguns observadores passaram a se perguntar se as adolescentes teriam se cansado das mensagens de prevenção, disse Stephanie Ventura, coautora do estudo chefiado por Hamilton.

A taxa de nascimentos prematuros registrou queda de 3%, representando agora 12,3% do total. O declínio ocorreu principalmente para os nascimentos de bebês que estavam entre a 34.ª e a 36.ª semana de gestação.

A proporção de cesarianas aumentou pelo 12.º ano consecutivo, chegando a um total de 32,3% dos nascimentos, a maior taxa já registrada. Ainda assim, o ritmo deste aumento sofreu uma desaceleração nos últimos anos. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

É COLUNISTA DE MEDICINA.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.