Crise reduz pompa da posse de Obama

Organizadores tentam dar o tom correto ao evento, com a grandiosidade que ele merece, mas sem glamour excessivo

Fernando Dantas, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2008 | 00h00

A cerimônia de posse de Barack Obama como o 44º presidente dos EUA, em 20 de janeiro, que já está sendo chamada de "o Woodstock de Washington" (em alusão ao famoso festival de rock), tornou-se um grande desafio logístico e político para os organizadores. É preciso acertar o tom correto, com a grandiosidade que a ocasião merece, mas sem um glamour excessivo que pareça frívolo para um país em guerra e em meio a uma das piores crises econômicas de sua história.A expectativa é que Obama bata de longe o recorde de público em posses presidenciais nos EUA, de Lyndon Johnson em 1965, com 1,2 milhão de pessoas. As estimativas variam muito, mas algumas projeções indicam que haverá uma multidão de mais de 4 milhões em Washington para tentar ver ou participar das solenidades e eventos que compõem a posse. As vagas em hotéis na capital americana entre 19 e 21 de janeiro já se esgotaram há várias semanas, e os moradores de Washington e das cercanias estão alugando desde sofás por US$ 10 a noite até luxuosas casas por US$ 3 mil para os visitantes. "Não há o que comer, não há como se sentar, então acho que vamos assistir em casa e deixar a cerimônia ao vivo para a multidão de turistas", diz o advogado Eric Treene, que mora perto da capital, no Estado da Virgínia. Ele ofereceu os "sofás no porão" para amigos que desejem ir a Washington para a posse. Os organizadores querem que a cerimônia seja a mais acessível possível à população, e uma novidade é que o National Mall, um parque retangular, será aberto ao público e receberá telões que exibirão o espetáculo. O Mall é a continuação do espaço em frente à face oeste do Capitólio, o Congresso americano, onde o novo presidente é empossado em cerimônia ao ar livre. É lá que Obama fará seu primeiro discurso como presidente dos EUA.Os ingressos para esse espaço contíguo ao Capitólio serão distribuídos gratuitamente por senadores e deputados a partir de janeiro, mas já vêm sendo vendidos antecipadamente por pessoas que estão certas de recebê-los. Já há casos de ingressos cotados em milhares de dólares, o que levou sites de vendas como o eBay a proibir a sua negociação. A multidão sem ingressos vai se aglomerar ao longo do National Mall. O que não falta entre os eleitores mais engajados de Obama são celebridades do show business ou de Hollywood, como Oprah Winfrey, Ben Affleck, Barbra Streisand e Stevie Wonder, entre outros. É provável que alguma estrela de primeira grandeza seja convocada para esquentar a posse com um número musical, mas os assessores do presidente eleito não querem que a ocasião seja usada pelos opositores para ressuscitar a crítica ao que seria o lado "superstar" de Obama, um dos motes da campanha eleitoral do rival republicano, John McCain. Por causa disso, não é certo que Obama vá aos bailes e shows organizados por celebridades, como os que Oprah planeja realizar. Há uma antiga tradição em Washington de se comemorar a posse presidencial em bailes e esse número pode chegar a várias dezenas. Mas apenas entre 7 e 14 serão considerados oficiais pelo Comitê Presidencial da Posse. O comitê, comandado diretamente por Obama e seu vice, Joe Biden, é responsável por alguns dos eventos, como os bailes e o desfile entre o Congresso e a Casa Branca, após a posse em frente ao Capitólio, e de um almoço no prédio com os congressistas.Mas, em termos institucionais, é o Comitê Conjunto do Congresso o principal organizador do evento, pois é responsável pela cerimônia no Capitólio, onde o presidente eleito presta o juramento e é investido em suas novas funções.

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