Miguel Gutierrez
Miguel Gutierrez

Crise se agrava e Venezuela obriga supermercados a reduzir preços

214 supermercados de 226 redes foram inspecionados na capital e outros 350 serão fiscalizados nos próximos dias em diversas cidades do país

O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2018 | 20h25

CARACAS - "A comida está impagável", reclama Domingo, em uma longa fila em frente a um supermercado de Caracas, na Venezuela, que está entre os estabelecimentos obrigados pelo governo da Venezuela a reduzir os preços em meio à espiral de hiperinflação.

Desde a madrugada de sábado, 6, filas extensas, vigiadas por militares, formaram-se em frente a supermercados de Caracas, após fiscalizações da Superintendência para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos (Sundee) em mais de 200 estabelecimentos.

"Sabemos que isto é uma catástrofe, mas o que vou fazer? O salário não dá", lamenta o pedreiro Domingo Mata, 45, pai de três filhos, enquanto aguarda para comprar alimentos a preços até um quinto menores.

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O chefe da Sundee, Willian Contreras, informou que 214 supermercados de 26 redes foram inspecionados em Caracas, e que cerca de 350 estabelecimentos independentes serão fiscalizados nos próximos dias na capital e em outras cidades. Um controle de preços de alimentos básicos e um forte controle cambial, com o qual o governo monopoliza o acesso a divisas para importar produtos e matérias-primas, vigoram no país.

A fiscalização acontece após protestos pela falta de alimentos e de serviços básicos, como o de água e luz, no fim de 2017. Empresários apontam os controles como causa da crise sócioeconômica, com uma inflação projetada em mais de 2.300% para 2018 pelo FMI, a mais alta do mundo, e o desabastecimento de alimentos e remédios.

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Segundo a organização patronal Fedecámaras, a indústria funciona a 30% de sua capacidade. O presidente Nicolás Maduro e altos funcionários culpam "uma guerra econômica" do empresariado, que busca gerar descontentamento popular.

"As grandes redes estavam remarcando preços sem nenhuma justificativa", declarou Contreras ao jornal Últimas Noticias. Yajaira Pereira, 60, saía de um supermercado com bolsas cheias de biscoitos doces e produtos de limpeza. "É uma boa medida", disse à AFP, embora tenha se queixado da falta de carne, farinha de milho e arroz.

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Já Ana García lamentou a fiscalização. "É acabar de destruir tudo. Hoje você leva biscoitos e uma margarina. E amanhã?", questionou. Segundo a presidente do grêmio de comércio e serviços, María Uzcátegui, o resultado da fiscalização será "prateleiras vazias".

Autoridades reportaram operações semelhantes em mercados de outros três estados, bem como em lojas de roupas e sapatos em Zulia (noroeste). / AFP

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