Matthias Schrader/AP
Matthias Schrader/AP

Crise testa livre circulação na Europa

Em Bruxelas, ministros do Interior dos países-membros da UE concordam em redistribuir entre eles 160 mil pedidos de asilo

REUTERS e EFE

15 Setembro 2015 | 02h02

VIENA - A era de viagens por uma Europa sem fronteiras, que já durava duas décadas, sofreu um duro golpe na segunda, quando países do continente impuseram controles em suas divisas em reação ao fluxo inédito de imigrantes. Em Bruxelas, ministros do Interior dos 28 países-membros concordaram em distribuir entre eles 160 mil pedidos de asilo de refugiados.

A decisão surpreendente da Alemanha de reinstaurar os controles fronteiriços no domingo teve um efeito dominó, forçando vizinhos a fechar as próprias fronteiras enquanto milhares de refugiados seguiam para o norte e o oeste da Europa.

A Áustria acionou os militares para proteger sua divisa com a Hungria depois de milhares de imigrantes a cruzarem a pé ontem, lotando acomodações temporárias como barracas e estacionamentos de estações de trem.

"Se a Alemanha realiza controle na fronteira, a Áustria precisa adotar controle fronteiriço reforçado", disse o vice-chanceler austríaco, Reinhold Mitterlehner, acrescentando que o Exército seria mobilizado.

A Hungria, por sua vez, começou na segunda a impedir a entrada de refugiados da fronteira com a Sérvia e policiais foram enviados para o local - única parte da separação entre os dois países que ainda não está fechada por uma cerca em construção.

Perto da cidade húngara de Roszke, a polícia montou uma barreira humana com agentes de segurança bloqueando a passagem dos refugiados.

Vários grupos de imigrantes foram parados pelos agentes e enviados de volta para o lado sérvio da fronteira, indo rumo a uma região florestal próxima, visivelmente desiludidos e resignados. Questionados sobre a atitude húngara, alguns deles disseram à agência EFE que a cerca que separa os dois países não os deteria. "Vamos acompanhar a cerca até encontrar outro buraco", gritou um deles. A Eslováquia também declarou que vai fechar suas fronteiras com a Áustria e a Hungria.

As medidas são a maior ameaça ao Tratado de Schengen que, assinado em 1995, eliminou postos de fronteira em toda a Europa e, juntamente com a adoção do euro como moeda comum, é uma das conquistas mais transformadoras da integração continental europeia.

Cotas. Ainda na segunda, os ministros do Interior da UE concordaram em redistribuir 160 mil imigrantes alojados em Itália, Grécia e Hungria entre os países-membros do bloco, de acordo com o ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maiziere. Eles se reunirão novamente no dia 8. Mais cedo, o governo de Berlim havia estimado que 1 milhão de refugiados chegarão ao país ainda neste ano.

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