Crise tira conflitos comerciais da agenda da cúpula do Mercosul

Questões econômicas cederão lugar às discussões sobre o que fazer com o Paraguai após a queda de Lugo

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h03

Barreiras comerciais argentinas, retaliações brasileiras, protestos antiprotecionistas de uruguaios e paraguaios, a revisão da Tarifa Externa Comum (TEC) e as negociações comerciais com a União Europeia seriam a tônica da cúpula do Mercosul, nesta semana, em Mendoza. No entanto, a crise no Paraguai provocou uma reviravolta na agenda do encontro.

Os conflitos comerciais ficarão de lado, já que o assunto principal será aquilo que a chancelaria argentina denominou de "ruptura da ordem democrática do Paraguai", em referência ao impeachment de Lugo.

No fim de semana o ex-presidente paraguaio disse que não reconhece o governo de Federico Franco e convocou uma reunião de seu antigo gabinete de ministros. Ontem, depois da reunião, ele confirmou presença na cúpula em Mendoza. O objetivo, segundo ele, é "explicar o que ocorreu no Paraguai".

Lugo também disse que iria à reunião da União das Nações Sul-americanas (Unasul) em Lima, para passar a presidência temporária do bloco - posteriormente, o encontro que se realizaria na capital peruana foi transferido para a sexta-feira e será realizado também em Mendoza.

A dúvida na Argentina é se Lugo fará um simulacro de passagem da presidência do Mercosul para a presidente Cristina Kirchner. O ritual inclui a entrega de um martelinho de madeira ao próximo presidente do bloco.

Informações extraoficiais em Mendoza e em Buenos Aires dizem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participaria da reunião. A presença de Lula, no entanto, era cogitada havia mais de um mês, antes da crise paraguaia.

Cúpula social. Mendoza também será sede de uma "cúpula social", denominada "cúpula dos povos", que se realiza há vários anos paralelamente à reunião dos governos. O encontro alternativo é dedicado a ONGs que discutem questões sociais nos países da América Latina.

O presidente Evo Morales, da Bolívia, que nos últimos dias enfrenta uma série de protestos sociais em seu país, será um dos oradores e promete fazer uma enfática defesa de Lugo.

Ontem, por videoconferência, a presidente Dilma Rousseff e seu colega uruguaio, José Mujica, mantiveram com Cristina e o premiê chinês, Wen Jiabao, a primeira reunião do Mercosul após a suspensão do Paraguai (mais informações no Caderno de Economia).

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