Crise toma embaixada de surpresa em meio a festa

Enquanto o Brasil esperava, ontem, uma atitude mais efetiva da equipe do presidente Evo Morales para garantir o fornecimento de gás, a embaixada brasileira em La Paz recebia autoridades do país e toda a diretoria da Petrobrás Bolívia para a celebração atrasada do 7 de Setembro. Um pedido de adoção das medidas para evitar bloqueios na fronteira entre os dois países tinha sido entregue ao governo boliviano anteontem pela própria embaixada, segundo o Itamaraty.Desde a semana passada, os postos de fronteira e o Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) foram levados ao centro da crise política boliviana por iniciativa da oposição a Evo. Na quarta-feira, em Santa Cruz de la Sierra, cinco governadores anunciaram que não se responsabilizariam por "nenhuma ação que impeça o bombeamento" de gás natural ao Brasil nem por obstruções em estradas.Ontem, enquanto a festa na embaixada em La Paz prosseguia, o Itamaraty considerava como "rumores infundados" as ameaças da oposição boliviana de cortar o fornecimento de gás. Na semana passada, quando a ameaça foi feita, o governo boliviano já havia enviado soldados do Exército para proteger as estações de bombeamento do Gasbol de possíveis ataques da oposição.As ações da oposição são uma represália à decisão do governo de Evo de convocar um referendo popular sobre a nova Constituição, apesar da proibição da Corte Nacional Eleitoral e de não reconhecer o processo de autonomia de quatro departamentos (Estados).Manifestantes tomaram, anteontem, postos da fronteira com o Brasil.

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